Quaest: 49% não consideram Lula um presidente honesto

 

Pesquisa Quaest mostra divisão na percepção de honestidade entre Lula e Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa Quaest divulgada em setembro mostra uma percepção bastante dividida entre os eleitores quando o assunto é a honestidade dos principais candidatos à Presidência da República. O levantamento avaliou seis nomes que aparecem no cenário eleitoral de 2026 e apontou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram os maiores índices de avaliação negativa, mas também são os candidatos com maior nível de reconhecimento entre os entrevistados.

Lula tem 49% de avaliação negativa

De acordo com a pesquisa, 49% dos entrevistados afirmaram que Lula não é um político honesto. Outros 28% disseram considerar o presidente honesto, enquanto 23% declararam não conhecê-lo suficientemente, não saber ou preferiram não responder.

Os números mostram que a avaliação sobre Lula está fortemente dividida. Como o presidente é uma figura conhecida nacionalmente e possui uma trajetória política de décadas, apenas uma parcela relativamente menor dos entrevistados afirmou não ter elementos suficientes para formar uma opinião sobre sua honestidade.

A percepção, contudo, apresenta diferenças significativas conforme o perfil dos eleitores.

Diferenças regionais na avaliação de Lula

No Nordeste, 45% dos entrevistados consideram Lula honesto. Entre os eleitores que se identificam com o lulismo, esse percentual chega a 69%.

A avaliação positiva também apresenta índices mais elevados entre pessoas com Ensino Fundamental, entre entrevistados pretos e entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos.

Em sentido contrário, a avaliação negativa é mais elevada no Sudeste, onde 61% dos entrevistados afirmaram não considerar Lula honesto. Entre eleitores classificados como de direita não bolsonarista, o percentual chega a 85%.

Também aparecem índices elevados de avaliação negativa entre evangélicos, jovens de 16 a 34 anos e pessoas com Ensino Médio.

Flávio Bolsonaro registra 42% de avaliação negativa

No caso de Flávio Bolsonaro, 42% dos entrevistados disseram não considerá-lo honesto. Outros 23% fizeram uma avaliação positiva, enquanto 35% afirmaram não conhecê-lo suficientemente, não saber ou não responderam.

A diferença em relação a Lula aparece principalmente no nível de desconhecimento. Enquanto 23% não apresentaram uma avaliação definida sobre o presidente, esse percentual sobe para 35% quando o nome analisado é Flávio.

O dado indica que uma parcela maior do eleitorado ainda não formou uma opinião sobre o senador.

Bolsonaristas avaliam Flávio de forma diferente

A pesquisa também identificou uma forte diferença na percepção sobre Flávio Bolsonaro de acordo com a identificação política dos entrevistados.

Entre os eleitores bolsonaristas, 60% consideram o senador honesto. A avaliação positiva também apresenta índices superiores entre evangélicos, pessoas com Ensino Superior e moradores da região Sudeste.

Por outro lado, no Nordeste, 55% dos entrevistados afirmaram não considerar Flávio honesto. O percentual chega a 73% entre eleitores identificados como de esquerda não lulista.

A avaliação negativa também aparece com maior frequência entre pessoas pretas, católicos e entrevistados com renda de até dois salários mínimos.

Outros candidatos ainda são pouco conhecidos

Os demais nomes testados apresentam índices de desconhecimento significativamente maiores.

Augusto Cury aparece com 17% de avaliação positiva sobre sua honestidade e 6% de avaliação negativa. Entretanto, 77% dos entrevistados afirmaram não conhecê-lo suficientemente ou não souberam responder.

Ronaldo Caiado registra 14% de avaliação positiva, 9% negativa e 77% de desconhecimento.

Romeu Zema tem 13% de avaliação positiva, 10% negativa e também 77% de entrevistados sem opinião definida.

Já Renan Santos aparece com 6% de avaliação positiva e 8% negativa. Nesse caso, 86% dos entrevistados afirmaram não conhecê-lo suficientemente ou não apresentaram resposta.

Reconhecimento é diferente entre os candidatos

Os números indicam que a avaliação sobre honestidade está diretamente relacionada ao grau de conhecimento que o eleitorado possui sobre cada candidato.

Lula e Flávio Bolsonaro apresentam os maiores percentuais de avaliações positivas e negativas porque são também os nomes mais conhecidos entre os entrevistados. Já os demais candidatos registram índices elevados de pessoas que ainda não possuem opinião formada.

Isso significa que os percentuais de avaliação dos candidatos menos conhecidos podem sofrer alterações à medida que eles ampliem sua exposição durante a campanha.

Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026. As entrevistas foram realizadas em todo o país, e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pela Globo e por O Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.

Os resultados representam a percepção dos entrevistados no período em que as entrevistas foram realizadas. Como a campanha eleitoral continua em andamento, a exposição dos candidatos e os acontecimentos políticos podem alterar a percepção do eleitorado ao longo dos próximos meses.

A pesquisa, portanto, mostra um cenário no qual Lula e Flávio Bolsonaro possuem altos níveis de reconhecimento, mas também enfrentam avaliações negativas relevantes sobre a percepção de honestidade. Entre os demais candidatos, o principal dado é o elevado percentual de eleitores que ainda não se considera suficientemente informado para avaliar essa característica.

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