Damares Alves deixa equipe do plano de governo de Flávio Bolsonaro após crise interna na direita
Senadora anuncia interrupção de sua participação na pré-campanha
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou que interrompeu sua participação na equipe responsável pela elaboração do plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República. A decisão foi divulgada em meio às articulações políticas para as eleições de 2026 e ocorre após uma sequência de desgastes envolvendo lideranças do campo conservador.
Segundo a parlamentar, sua contribuição nesta primeira etapa da construção do programa de governo foi concluída e, neste momento, não há novas atividades sob sua responsabilidade. Damares afirmou que a decisão não representa um rompimento político com Flávio Bolsonaro, mas apenas o encerramento de sua participação técnica na fase inicial do projeto.
A senadora também declarou que permanece à disposição para colaborar futuramente, caso o senador seja eleito e seja iniciada uma eventual transição de governo.
Trabalho foi voltado à área de direitos humanos
Damares Alves foi convidada para integrar a equipe responsável pela formulação das propostas relacionadas aos direitos humanos, área em que acumulou experiência durante sua passagem pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Sua missão consistia em colaborar na elaboração de diretrizes e projetos voltados ao setor, aproveitando o conhecimento adquirido ao longo de sua atuação no governo federal.
De acordo com a senadora, essa etapa do trabalho já havia sido concluída antes mesmo do anúncio de seu afastamento, razão pela qual considera encerrada sua participação na equipe neste momento da pré-campanha.
Ela ressaltou, entretanto, que poderá voltar a colaborar futuramente caso surja necessidade de contribuir com um eventual processo de transição administrativa.
Ataques internos motivaram decisão
Ao explicar os motivos de sua saída, Damares afirmou que passou a ser alvo de críticas vindas de integrantes do próprio campo conservador após o agravamento da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Segundo a parlamentar, os ataques aumentaram nas últimas semanas e acabaram influenciando sua decisão de interromper a participação na equipe responsável pelo plano de governo.
Na avaliação da senadora, permanecer naquele momento poderia ampliar o desgaste político e alimentar novas controvérsias dentro do grupo.
Ela informou ainda que, desde então, não voltou a conversar com Flávio Bolsonaro sobre o assunto. Questionada se o senador entrou em contato para tratar de sua saída, respondeu apenas que ele permanece concentrado nos compromissos relacionados à pré-campanha presidencial.
Crise entre Flávio e Michelle teve novos reflexos
O anúncio de Damares ocorre em meio ao racha que ganhou visibilidade entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro.
Nas últimas semanas, a ex-primeira-dama tornou públicos episódios de desentendimento com o senador, afirmando que se sentiu desrespeitada durante discussões envolvendo articulações políticas dentro do Partido Liberal.
Flávio Bolsonaro negou que tivesse intenção de ofendê-la e declarou que, caso suas palavras tenham sido interpretadas dessa maneira, pedia desculpas pelo episódio.
Apesar da tentativa de reduzir a tensão, o conflito continuou repercutindo entre aliados e passou a produzir novos desdobramentos dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Damares tentou minimizar conflito
Aliada próxima de Michelle Bolsonaro, Damares inicialmente buscou tratar o episódio como um desentendimento de natureza familiar, evitando ampliar as divergências públicas.
Com o avanço da crise, porém, a situação acabou repercutindo diretamente em sua atuação dentro da equipe de elaboração do plano de governo.
Antes mesmo de anunciar oficialmente sua saída, a senadora já havia informado que deixaria de participar de alguns eventos ligados à pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, afirmou que vinha recebendo ataques de apoiadores nas redes sociais, circunstância que contribuiu para seu afastamento das atividades.
Mesmo assim, Damares reforçou que continua mantendo diálogo com diferentes setores do campo conservador e que sua decisão não altera sua disposição de colaborar em futuras etapas do projeto político.
Pré-campanha busca preservar unidade do grupo
Enquanto administra os efeitos da crise interna, Flávio Bolsonaro segue intensificando sua agenda política e realizando reuniões com lideranças partidárias em diferentes regiões do país.
Nos últimos dias, o senador também lançou iniciativas voltadas ao eleitorado feminino, buscando ampliar sua base de apoio e fortalecer sua pré-candidatura para as eleições de 2026.
O objetivo é reduzir os impactos provocados pelas divergências internas e preservar a unidade entre os diversos grupos que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A saída de Damares Alves da equipe responsável pelo plano de governo representa mais um capítulo desse processo de reorganização política. Embora a senadora tenha destacado que permanece aberta à possibilidade de colaborar em uma fase futura, seu afastamento evidencia as dificuldades enfrentadas pela pré-campanha para manter a coesão entre suas principais lideranças.
Com o avanço das articulações eleitorais, a expectativa é de que novos movimentos ocorram nos próximos meses, enquanto os partidos intensificam a definição de estratégias e consolidam alianças para a disputa presidencial de 2026.
