Moraes se declara impedido em habeas corpus de Bolsonaro e deixa julgamento nas mãos de Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se impedido de participar do julgamento de um pedido de habeas corpus apresentado em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (7), enquanto a Primeira Turma da Corte analisa, em sessão virtual, o recurso que busca modificar a situação judicial do ex-presidente.
Com a saÃda de Moraes da análise, a atenção se volta para os demais integrantes da Primeira Turma, especialmente para o ministro Flávio Dino. O julgamento tem previsão de encerramento em 14 de setembro e já conta com dois votos contrários ao pedido de liberdade.
Cármen Lúcia e Zanin votam contra o habeas corpus
A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso, foi a responsável por apresentar o primeiro voto. Ela se posicionou contra o habeas corpus e defendeu a manutenção da decisão questionada.
Na sequência, o ministro Cristiano Zanin acompanhou integralmente o entendimento da relatora. Com isso, o placar chegou a 2 a 0 pela rejeição do pedido.
A expectativa agora está concentrada no voto de Flávio Dino, presidente da Primeira Turma. Como o colegiado conta atualmente com quatro ministros, devido à cadeira deixada vaga após a aposentadoria de LuÃs Roberto Barroso, cada voto pode ter peso significativo na definição do resultado.
A declaração de impedimento de Moraes altera a composição efetiva da análise e reduz o número de ministros que participarão da decisão especÃfica.
Pedido não foi apresentado pela defesa oficial
Um dos principais pontos destacados por Cármen Lúcia em seu voto foi a origem do habeas corpus.
Segundo a relatora, o pedido não foi apresentado pelos advogados que representam oficialmente Jair Bolsonaro. A iniciativa partiu de uma pessoa que não integra a equipe jurÃdica responsável pela defesa do ex-presidente.
A ministra reconheceu que a legislação permite, em determinadas circunstâncias, que um habeas corpus seja apresentado por terceiros, mesmo sem representação formal do beneficiário. No entanto, avaliou que existem limites para a utilização desse instrumento quando se pretende questionar decisões que já foram tomadas individualmente por um ministro ou confirmadas pelo próprio plenário do Supremo.
Esse entendimento foi utilizado como um dos fundamentos para rejeitar o pedido submetido à análise da Primeira Turma.
Bolsonaro está em regime domiciliar
O julgamento ocorre em meio a uma situação judicial complexa envolvendo o ex-presidente.
Bolsonaro foi condenado no ano passado a uma pena superior a 27 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de alteração da ordem constitucional. Desde então, sua situação passou por diferentes etapas determinadas pela Justiça.
Atualmente, o ex-presidente cumpre regime domiciliar humanitário, medida estabelecida em razão de problemas de saúde apresentados ao longo do perÃodo de cumprimento da pena.
Antes da prisão domiciliar, Bolsonaro havia sido levado à prisão em novembro. O episódio ocorreu em um contexto que também envolveu uma tentativa de violação do equipamento de monitoramento eletrônico utilizado por determinação judicial.
Posteriormente, diante das condições clÃnicas apresentadas, a Justiça estabeleceu novas condições para o cumprimento da pena.
Saúde continua sendo argumento da defesa
As condições de saúde do ex-presidente permanecem entre os elementos considerados nas discussões relacionadas ao seu regime de cumprimento da pena.
Bolsonaro apresenta problemas de saúde, incluindo questões intestinais, que são utilizados como argumento para a manutenção de condições diferenciadas de cumprimento da medida judicial.
O habeas corpus atualmente analisado, contudo, possui caracterÃsticas próprias e não foi apresentado pela defesa oficial do ex-presidente. Por isso, a análise feita pelo Supremo está concentrada nos fundamentos jurÃdicos especÃficos do pedido.
A decisão sobre o recurso também não representa, por si só, uma revisão completa de todas as medidas que envolvem o cumprimento da pena de Bolsonaro.
Impedimento de Moraes muda cenário da votação
A decisão de Alexandre de Moraes de se declarar impedido significa que o ministro não participará da votação desse habeas corpus.
A medida ganha destaque por ocorrer em um processo envolvendo diretamente Bolsonaro, que já foi alvo de diversas decisões relacionadas às investigações e aos processos que tramitam no Supremo.
Com Moraes fora da análise, a composição do julgamento fica ainda mais restrita. Os dois votos já apresentados são desfavoráveis ao pedido, enquanto o próximo posicionamento poderá ter papel importante na conclusão da votação.
O resultado definitivo, porém, somente poderá ser conhecido após o encerramento da sessão virtual.
Dino será o próximo voto decisivo
Com Cármen Lúcia e Zanin formando maioria parcial contra o habeas corpus e Moraes declarado impedido, o voto de Flávio Dino passou a concentrar as atenções.
A Primeira Turma tem atualmente quatro cadeiras ocupadas, mas apenas os ministros aptos a participar do julgamento poderão votar. Nesse contexto, a composição efetiva do colegiado pode influenciar diretamente o resultado.
Caso o entendimento contrário ao pedido seja mantido, o habeas corpus será rejeitado e permanecerá válida a situação judicial atualmente imposta a Bolsonaro.
Por outro lado, qualquer mudança no entendimento dos integrantes ainda aptos a votar poderá alterar a conclusão da análise.
Julgamento termina em 14 de setembro
O julgamento virtual tem prazo para ser encerrado em 14 de setembro. Até essa data, os ministros poderão apresentar seus votos dentro do procedimento estabelecido para a sessão.
O placar parcial, de 2 a 0 contra o habeas corpus, indica uma tendência desfavorável ao pedido apresentado em favor de Bolsonaro. Entretanto, o resultado definitivo depende da conclusão da votação e da posição dos ministros que ainda não se manifestaram.
A declaração de impedimento de Moraes acrescenta um novo elemento ao caso e torna ainda mais relevante a composição final da Primeira Turma.
Enquanto o julgamento não é encerrado, a situação do ex-presidente permanece submetida à s decisões judiciais atualmente em vigor. O resultado da análise deverá definir especificamente o destino do habeas corpus e poderá estabelecer mais um capÃtulo na disputa jurÃdica envolvendo Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal.
