Tarcísio afirma que Polícia Civil cumprirá ordem de Flávio Dino sobre caso Dark Horse
Governador defende cumprimento da decisão do STF
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que a Polícia Civil paulista cumprirá a determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para compartilhar com a Polícia Federal provas obtidas durante uma investigação envolvendo a empresária Karina Ferreira da Gama.
A declaração foi dada na terça-feira (25), em meio à repercussão da decisão que determinou o envio de documentos, arquivos digitais e outros materiais recolhidos durante uma operação realizada em São Paulo.
O caso ganhou destaque por envolver a produtora do filme “Dark Horse”, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e por estar inserido em uma investigação que tramita no âmbito do Supremo.
Segundo Tarcísio, o cumprimento de determinações judiciais faz parte do funcionamento normal das instituições públicas. Para o governador, quando existe uma ordem da Justiça, os órgãos responsáveis devem seguir aquilo que foi estabelecido.
Investigação envolve produtora de Dark Horse
Karina Ferreira da Gama é proprietária da Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção de “Dark Horse”. O nome da empresária passou a aparecer nas investigações após a Operação Wi-Fi, realizada em junho para apurar possíveis irregularidades relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado com a Prefeitura de São Paulo.
A investigação paulista examinava informações relacionadas às atividades empresariais de Karina. Paralelamente, surgiu uma apuração no STF envolvendo aspectos relacionados ao financiamento do filme e à possibilidade de utilização de emendas parlamentares na produção.
A existência de duas frentes de investigação colocou as autoridades estaduais e federais em contato com diferentes conjuntos de informações. Com a determinação de Flávio Dino, materiais obtidos pela Polícia Civil deverão ser compartilhados com a Polícia Federal.
Materiais apreendidos serão enviados à PF
A decisão do ministro do STF estabeleceu um prazo de cinco dias para que a Polícia Federal receba os materiais que estavam sob responsabilidade da investigação conduzida em São Paulo.
Entre os elementos que deverão ser disponibilizados estão documentos, notas fiscais, contratos, informações extraídas de celulares e arquivos armazenados em equipamentos eletrônicos.
Também fazem parte do material o celular e o computador pessoal da empresária. Esses dispositivos podem conter informações relevantes para o esclarecimento das circunstâncias investigadas e serão submetidos à análise das autoridades competentes.
A Polícia Civil também havia solicitado medidas relacionadas ao exame de informações fiscais de Karina, de empresas e de institutos ligados a ela. Com isso, o conjunto de dados disponível para as investigações poderá ser ampliado.
Tarcísio rejeita suspeitas de interferência política
Durante a manifestação sobre o caso, Tarcísio também rejeitou acusações de que a Polícia Civil estaria retardando procedimentos por razões eleitorais.
O governador defendeu o caráter profissional das forças policiais e afirmou que questionamentos sobre eventual interferência política seriam inadequados diante da atuação dos agentes públicos.
Na avaliação de Tarcísio, tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar possuem estruturas profissionais e devem ser consideradas instituições de Estado.
A declaração ocorreu em um momento de forte movimentação política em São Paulo, especialmente em razão da proximidade das eleições de 2026. Adversários do governador haviam levantado questionamentos sobre o ritmo de determinadas apurações relacionadas à empresária.
Tarcísio, porém, sustentou que os trabalhos policiais devem seguir os procedimentos legais, independentemente das disputas políticas.
Polícia Federal terá acesso ampliado às provas
Com a decisão de Flávio Dino, a Polícia Federal passa a ter acesso direto a um conjunto mais amplo de informações que poderá ser utilizado na investigação conduzida sob relatoria do ministro.
Os investigadores federais poderão examinar documentos financeiros, contratos, registros de pagamentos, arquivos digitais e informações obtidas a partir dos equipamentos apreendidos.
A análise desses elementos poderá ajudar as autoridades a estabelecer conexões entre diferentes informações já reunidas durante as investigações.
O compartilhamento de provas também busca evitar que informações relevantes permaneçam restritas a uma única frente de apuração quando elas possam ter relação com fatos investigados em outro procedimento.
Decisão não representa conclusão sobre os envolvidos
Apesar da importância da determinação do STF, o envio dos materiais à Polícia Federal não significa que tenha sido comprovada qualquer irregularidade ou responsabilidade criminal por parte de Karina Ferreira da Gama ou de outras pessoas citadas nas investigações.
O compartilhamento das provas representa uma etapa do processo de apuração. Cabe aos investigadores analisar os documentos e equipamentos, cruzar informações e verificar se existem elementos que confirmem ou descartem as suspeitas levantadas.
Essa distinção é importante porque investigações podem envolver pessoas que ainda não foram responsabilizadas por qualquer crime. A existência de uma apuração ou de uma medida judicial não equivale, por si só, a uma conclusão definitiva.
Caso tem repercussão política
A investigação ganhou uma dimensão política maior por envolver a produção de um filme relacionado a Jair Bolsonaro e suspeitas sobre seu financiamento.
O tema passou a ser acompanhado por diferentes setores políticos justamente porque envolve questões relacionadas a recursos públicos, emendas parlamentares e empresas que mantêm relações com atividades de grande visibilidade.
Ao mesmo tempo, a atuação de Tarcísio no caso também recebeu atenção porque a investigação original foi conduzida por órgãos de segurança pública de São Paulo, subordinados ao governo estadual.
O governador procurou afastar qualquer interpretação de interferência política e ressaltou que as instituições devem cumprir as decisões judiciais.
Investigações continuam
A partir do compartilhamento determinado pelo STF, a Polícia Federal deverá analisar o material recebido e incorporá-lo aos procedimentos que estão sob responsabilidade de Flávio Dino.
A expectativa é que documentos financeiros, equipamentos eletrônicos e demais elementos apreendidos possam contribuir para esclarecer questões relacionadas ao financiamento de “Dark Horse” e às possíveis conexões investigadas pelas autoridades.
Enquanto isso, a Polícia Civil paulista continuará cumprindo as determinações judiciais relacionadas ao caso e fornecendo os materiais solicitados.
O episódio evidencia a interação entre diferentes órgãos de investigação e o papel do Supremo na coordenação de procedimentos que envolvem autoridades, recursos públicos e fatos de repercussão nacional.
Por enquanto, o compartilhamento das provas amplia o conjunto de informações disponível para os investigadores, mas não estabelece conclusões definitivas sobre eventuais crimes ou responsabilidades. O caso permanece em fase de apuração, e os próximos passos dependerão da análise dos documentos, arquivos e demais materiais que serão encaminhados à Polícia Federal.
