Prisão de aliado de Flávio Bolsonaro no Rio sofre reviravolta no STF

Alexandre de Moraes revoga medidas cautelares contra Márcio Canella e político deixa de usar tornozeleira eletrônica

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a revogação de todas as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella. A decisão encerra as restrições que vinham sendo cumpridas pelo político, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar em determinados períodos, a retenção de passaportes e a obrigação de comparecimento periódico à Justiça.

A medida também beneficia o sargento da Polícia Militar Alexandre Paixão da Silva Júnior, integrante da equipe de segurança de Canella, que igualmente teve suspensas as cautelares determinadas anteriormente pelo Supremo.

Decisão foi tomada durante análise da Operação Unha e Carne

A revogação ocorreu no âmbito do inquérito relacionado à Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões por meio de empresas e operadores financeiros ao longo de vários anos. A Polícia Federal apura a possível utilização de estabelecimentos comerciais para ocultação de patrimônio e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Márcio Canella é citado nas investigações por suposta ligação política com pessoas investigadas, embora o inquérito ainda esteja em fase de apuração.

Esclarecimento sobre armamento influenciou decisão

Um dos principais fatores considerados pelo ministro Alexandre de Moraes foi o esclarecimento referente ao armamento encontrado durante a operação policial.

Canella havia sido preso em flagrante após agentes localizarem um fuzil durante o cumprimento de mandados de busca. Posteriormente, documentos apresentados à investigação demonstraram que a arma fazia parte do patrimônio oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro e estava regularmente registrada para uso do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela segurança do ex-prefeito.

A corporação informou que o armamento havia sido disponibilizado oficialmente para a equipe de escolta, mediante autorização administrativa, afastando a hipótese de posse irregular.

Com esse esclarecimento, o ministro concluiu que deixaram de existir elementos suficientes para justificar a manutenção das medidas cautelares anteriormente impostas.

Investigação continua em andamento

Apesar da retirada das restrições, Alexandre de Moraes ressaltou que a decisão não representa o encerramento das investigações.

Segundo o ministro, embora não existam provas diretas que demonstrem participação efetiva de Márcio Canella nas movimentações financeiras investigadas, permanecem elementos que indicam vínculos políticos, funcionais e relacionais entre o ex-prefeito e outros investigados.

Dessa forma, a Polícia Federal continuará realizando diligências para esclarecer todos os fatos relacionados ao caso.

As investigações incluem análise de documentos, movimentações bancárias, empresas, depoimentos e demais elementos reunidos ao longo da operação.

Prisão ocorreu durante operação da Polícia Federal

Márcio Canella foi preso no início de julho durante a sexta fase da Operação Unha e Carne.

Na ocasião, após a prisão em flagrante, Alexandre de Moraes autorizou sua liberdade provisória, condicionando a soltura ao cumprimento de diversas medidas cautelares.

Entre elas estavam o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana, retenção de passaportes e comparecimento periódico perante a Justiça.

Agora, todas essas determinações foram revogadas, permitindo que o político responda ao inquérito sem restrições cautelares.

Impacto político

A decisão também possui reflexos no cenário político do Rio de Janeiro.

Pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella volta a ter plena liberdade para participar de compromissos públicos, realizar viagens e intensificar as articulações políticas relacionadas ao processo eleitoral.

Sem as limitações impostas anteriormente, o ex-prefeito poderá ampliar sua agenda de encontros com lideranças, apoiadores e representantes partidários durante o período de pré-campanha.

A retirada das medidas cautelares elimina ainda um dos principais obstáculos que vinham marcando sua atuação pública desde o início da investigação.

Defesa comemora decisão

Após tomar conhecimento da decisão do Supremo Tribunal Federal, Márcio Canella utilizou as redes sociais para comentar o resultado.

Em sua manifestação, afirmou receber a notícia com gratidão e declarou manter confiança na Justiça. Segundo o ex-prefeito, a revogação das medidas reforça sua tranquilidade para acompanhar o andamento do processo enquanto aguarda a conclusão das investigações.

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro também foi comunicada oficialmente para realizar os procedimentos necessários à retirada da tornozeleira eletrônica utilizada por Canella.

Caso permanece sob análise do STF

Mesmo com a revogação das cautelares, a Operação Unha e Carne continua em andamento.

A Polícia Federal prossegue na coleta de provas, realização de perícias e análise de documentos para verificar a eventual participação de agentes públicos, empresários e demais pessoas investigadas.

Ao final das diligências, o material será encaminhado às autoridades competentes para avaliação das medidas cabíveis.

Até que haja uma conclusão definitiva, permanecem válidos os princípios da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência dos envolvidos, enquanto o Supremo Tribunal Federal acompanha os próximos desdobramentos da investigação.

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