PGR pede a Moraes que PF ouça Flávio Bolsonaro em inquérito

Investigação contra Flávio Bolsonaro pode ter nova etapa após pedido da PGR ao STF

A investigação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo desdobramento após a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o inquérito retorne à Polícia Federal para a realização do depoimento do parlamentar. O pedido foi apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condução do caso na Corte.

A iniciativa ocorre mesmo após a Polícia Federal ter concluído o relatório final da investigação. Para a PGR, no entanto, ainda há uma etapa considerada essencial antes que seja tomada qualquer decisão definitiva: ouvir o senador sobre os fatos investigados.

Agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se autoriza o retorno dos autos à Polícia Federal para a continuidade das diligências.

PGR considera depoimento fundamental

Na manifestação enviada ao Supremo, Paulo Gonet argumentou que o depoimento de Flávio Bolsonaro poderá influenciar diretamente a análise jurídica do caso.

Segundo o procurador-geral, embora a Polícia Federal tenha encerrado a investigação, o senador não foi ouvido durante a fase de apuração. A ausência desse procedimento levou a PGR a entender que o inquérito ainda não está completamente instruído.

A Procuradoria defende que, antes de emitir seu parecer definitivo sobre o relatório policial, é necessário permitir que o investigado apresente sua versão dos fatos, garantindo a conclusão adequada da investigação.

Defesa havia solicitado diligências

Durante o andamento do inquérito, os advogados de Flávio Bolsonaro solicitaram que algumas diligências fossem realizadas antes da tomada de seu depoimento.

Esses pedidos, entretanto, foram rejeitados pela Polícia Federal, que decidiu concluir a investigação sem realizar a oitiva do senador.

Ao analisar o procedimento, a Procuradoria-Geral da República entendeu que, mesmo diante da negativa das diligências solicitadas pela defesa, o depoimento do parlamentar deveria ter sido realizado antes do encerramento da fase investigativa.

Por esse motivo, Gonet pediu que os autos retornem à Polícia Federal para complementar essa etapa.

Possibilidade de retratação foi destacada

Outro ponto ressaltado pela Procuradoria envolve a legislação penal aplicável ao caso.

Segundo Paulo Gonet, o Código Penal prevê hipóteses em que pode haver retratação em processos relacionados ao crime de calúnia. Dependendo das circunstâncias e da forma como essa retratação ocorra, ela pode produzir efeitos jurídicos relevantes na continuidade da ação.

Na avaliação da PGR, ouvir o investigado antes da conclusão do procedimento permitirá analisar se existe alguma situação que possa influenciar a responsabilização penal prevista na legislação.

Somente após essa etapa, o Ministério Público pretende reexaminar todo o conjunto de provas reunidas pela investigação antes de decidir quais providências adotar.

Investigação teve origem em publicação nas redes sociais

O inquérito foi instaurado após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, no início deste ano.

Na ocasião, o senador comentou um episódio envolvendo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e publicou uma mensagem que, segundo a investigação da Polícia Federal, associava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro.

Para os investigadores, a postagem atribuiu ao presidente da República a prática de crimes sem apresentar elementos que comprovassem essas afirmações.

Com base nessa conclusão, a Polícia Federal identificou indícios da prática do crime de calúnia e encaminhou o relatório final ao Supremo Tribunal Federal no fim de junho.

Moraes decidirá os próximos passos

O pedido apresentado pela Procuradoria-Geral da República será agora analisado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Caso o magistrado concorde com o entendimento da PGR, o inquérito será devolvido à Polícia Federal para que Flávio Bolsonaro seja convocado a prestar depoimento.

Após a realização dessa oitiva, os autos retornarão novamente à Procuradoria-Geral da República, que fará uma nova avaliação das provas e decidirá quais medidas jurídicas poderão ser adotadas na sequência.

Se o pedido for negado, o procedimento seguirá seu curso com base no material já produzido pela Polícia Federal.

Caso continua repercutindo em Brasília

O episódio voltou a movimentar o cenário político e jurídico da capital federal por envolver importantes instituições do país, como o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, além de um senador da República e do presidente da República.

Especialistas acompanham o caso devido aos possíveis reflexos jurídicos e políticos que a decisão poderá produzir. A expectativa agora está concentrada na manifestação do ministro Alexandre de Moraes, que definirá se a investigação será reaberta para a realização do depoimento solicitado pela PGR.

Enquanto isso, o processo permanece em tramitação no STF, aguardando a definição sobre os próximos passos da apuração.

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