PF tem mensagens mostrando ligação de ‘Careca’ a Berge, secretário particular de Lula

Investigações sobre o INSS colocam Swedenberger Barbosa no radar das apurações

O avanço das investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo descontos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) trouxe ao centro do debate o nome de Swedenberger Barbosa, conhecido como “Berge” ou “Berger”. Atualmente ligado ao Gabinete Pessoal da Presidência da República, ele passou a ser mencionado em informações relacionadas a conversas atribuídas ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

As referências foram divulgadas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, e chamaram a atenção porque envolvem uma pessoa que ocupou anteriormente o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde e atualmente exerce uma função próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mensagens mencionam Swedenberger Barbosa

Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal teria recebido de um colaborador mensagens trocadas pelo WhatsApp nas quais Antunes fazia referências a Swedenberger Barbosa.

Uma das conversas citadas teria ocorrido em 6 de novembro de 2024. Na ocasião, Antunes teria informado a um interlocutor que “Berger já está com aquela orientação em mãos”. A resposta registrada teria sido “Show”.

O conteúdo da mensagem, entretanto, não esclarece qual orientação estaria sendo mencionada, tampouco identifica sua finalidade ou demonstra que tenha ocorrido alguma irregularidade.

A referência passou a ser considerada relevante pelos investigadores devido ao contexto mais amplo das apurações sobre os contatos mantidos por Antunes com pessoas ligadas à administração pública.

Suposta reunião também entrou no radar

Outro episódio mencionado na reportagem teria ocorrido em dezembro. Segundo o relato, em 19 de dezembro Antunes escreveu em um grupo relacionado à empresa Cannabis World que teria uma reunião com Berger às 10h30.

O detalhe chamou atenção porque a agenda oficial atribuída a Swedenberger Barbosa não registraria compromisso naquele horário.

A divergência, contudo, não é suficiente para comprovar que uma reunião tenha efetivamente acontecido. Para esclarecer o episódio, seria necessário confrontar diferentes elementos, como registros de entrada e saída, mensagens, documentos, testemunhos e outros dados eventualmente disponíveis aos investigadores.

Também seria necessário identificar o motivo de um eventual encontro e as pessoas que participaram da conversa.

Berger teria sido citado como contato no Ministério da Saúde

A reportagem ainda relata que um colaborador da Polícia Federal que teria trabalhado com Antunes afirmou que o nome de Swedenberger Barbosa aparecia com frequência nas conversas como um possível contato dentro do Ministério da Saúde.

Essa informação, assim como as mensagens, precisa ser analisada em conjunto com outros elementos da investigação.

A simples menção a uma autoridade ou servidor público em conversas de terceiros não constitui, isoladamente, evidência de participação em irregularidades. O significado dos contatos depende do contexto, da natureza das relações e de eventual comprovação documental.

Relações com outros nomes investigados

O caso também envolve referências a outras pessoas que aparecem no conjunto das apurações.

Entre elas está a lobista Roberta Luchsinger, apontada na reportagem como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo as informações divulgadas, Luchsinger teria recebido pagamentos de Antunes e participado de encontros nos quais afirmava possuir influência sobre recursos relacionados à área da Saúde.

Outro nome mencionado é Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, que anteriormente ocupou a chefia do Gabinete Pessoal do presidente Lula. A reportagem cita pagamentos feitos por Luchsinger a ele.

Essas relações também são objeto de apuração e não significam, por si mesmas, comprovação de participação em crimes.

Cargo atual aumenta a atenção sobre o caso

A situação ganhou maior repercussão porque Swedenberger Barbosa atualmente ocupa uma posição próxima ao núcleo administrativo da Presidência da República.

Segundo as informações divulgadas, ele exerce a função de Chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna, com atribuições de assistência direta e imediata ao presidente.

A permanência de Berger no cargo durante o andamento das investigações não representa uma conclusão sobre sua eventual responsabilidade. Até o momento, as referências apresentadas são elementos que precisam ser avaliados pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A situação também coloca o governo diante da necessidade de esclarecer a natureza dos contatos mencionados nas mensagens e demonstrar, caso questionado, que eventuais reuniões ou orientações ocorreram dentro das atribuições institucionais.

Investigação precisa esclarecer o contexto

Um dos principais desafios das autoridades será determinar o significado das mensagens atribuídas a Antunes e verificar se os encontros mencionados realmente aconteceram.

Também será necessário estabelecer quais assuntos foram tratados, quem participou das eventuais reuniões e se houve alguma consequência administrativa ou financeira decorrente desses contatos.

A análise desses elementos poderá diferenciar contatos de natureza institucional de eventuais relações privadas ou empresariais.

Por isso, a presença do nome de Swedenberger Barbosa nas conversas não deve ser interpretada automaticamente como prova de envolvimento no esquema investigado.

Caso amplia pressão sobre o governo

As novas informações aumentam a pressão sobre o governo federal em um momento no qual as investigações relacionadas ao INSS já alcançaram diferentes empresários, intermediários e pessoas ligadas à administração pública.

A apuração busca identificar responsabilidades e compreender como funcionava a rede de relações envolvendo os suspeitos de participar das irregularidades.

Nesse contexto, a confirmação ou não dos contatos atribuídos a Berger poderá ajudar a esclarecer a extensão das relações mantidas por Antunes dentro do poder público.

Até que sejam apresentados elementos conclusivos pelas autoridades, Swedenberger Barbosa deve ser tratado como alguém cujo nome aparece no contexto das investigações, e não como responsável por qualquer crime.

O avanço das apurações deverá determinar se as referências encontradas nas mensagens correspondem a contatos institucionais legítimos ou se existem elementos adicionais capazes de indicar alguma irregularidade.

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