Polícia Federal apreende última arma registrada em nome de Jair Bolsonaro após decisão do STF
Recolhimento conclui determinação do Supremo
A Polícia Federal concluiu o recolhimento de todas as armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após apreender a última delas, uma espingarda personalizada que permanecia armazenada nas instalações de uma fabricante de armas no município de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ação atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou o recolhimento de todos os armamentos vinculados ao ex-chefe do Executivo no âmbito das investigações em andamento.
A espingarda possuía características exclusivas, com acabamento nas cores da bandeira do Brasil e a inscrição “Ordem e Progresso”, referência ao lema estampado na bandeira nacional. O armamento havia sido entregue como presente por uma fabricante de armas em 2022 e estava devidamente registrado em nome de Bolsonaro no sistema oficial de controle de armas.
Arma nunca foi retirada da fabricante
Embora estivesse regularmente registrada, a espingarda nunca chegou a ser retirada pelo ex-presidente. Desde sua entrega, o equipamento permaneceu guardado nas dependências da empresa responsável pela fabricação, onde ficou armazenado até o cumprimento da decisão judicial.
Durante as diligências realizadas pela Polícia Federal, representantes da empresa colaboraram com os agentes e indicaram o local exato onde o armamento estava guardado. Segundo informações constantes no relatório da operação, o responsável pela fabricante colocou-se à disposição das autoridades e realizou a entrega voluntária da espingarda, permitindo que a apreensão ocorresse sem qualquer tipo de resistência.
A cooperação da empresa foi considerada importante para o rápido cumprimento da ordem expedida pelo Supremo Tribunal Federal.
Investigação motivou recolhimento das armas
A decisão de apreender todas as armas registradas em nome de Jair Bolsonaro foi tomada pelo STF após um episódio ocorrido em Brasília, quando uma pistola pertencente ao ex-presidente foi encontrada com um de seus seguranças durante uma abordagem policial realizada no mês de junho.
O caso levou a Corte a determinar que todos os armamentos oficialmente registrados em nome de Bolsonaro fossem localizados e recolhidos pelas autoridades competentes. A medida passou a integrar o conjunto de providências adotadas pelo Supremo dentro das investigações envolvendo o ex-presidente.
Desde então, a Polícia Federal iniciou um trabalho para identificar a localização de cada uma das armas registradas e cumprir integralmente a decisão judicial.
Defesa informou existência da espingarda
Nos autos do processo, a defesa de Jair Bolsonaro informou que a espingarda permanecia sob a guarda da fabricante de armas. No entanto, segundo os documentos apresentados, não foram fornecidas informações detalhadas que permitissem identificar exatamente o local onde o equipamento estava armazenado.
Diante dessa situação, a Polícia Federal realizou diligências para confirmar a localização da arma e efetivar sua apreensão. Após o contato com a empresa, os agentes conseguiram localizar o armamento e proceder ao recolhimento conforme estabelecido pela decisão do Supremo.
A atuação conjunta entre os investigadores e os representantes da fabricante possibilitou que a operação fosse concluída sem necessidade de medidas coercitivas adicionais.
Relatório descreve condições do armamento
O relatório elaborado pelo delegado responsável pela operação foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal juntamente com a comunicação oficial do cumprimento da decisão.
No documento, a Polícia Federal informa que a espingarda estava acondicionada em um estojo apropriado para armazenamento e transporte. Também foram encontrados carregadores vazios, sem qualquer munição disponível no local.
O relatório ainda registra que o armamento apresentava acabamento personalizado nas cores verde, amarelo e azul, além da inscrição “Ordem e Progresso”, elemento que chamou atenção durante a apreensão por reproduzir o lema presente na bandeira brasileira.
As informações foram anexadas ao processo para documentar as condições em que a arma foi localizada e entregue às autoridades.
Processo segue em tramitação no STF
Com a apreensão da espingarda, a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que a ordem judicial para recolhimento de todas as armas registradas em nome de Jair Bolsonaro foi integralmente cumprida. Os equipamentos permanecerão sob custódia das autoridades enquanto as investigações continuam.
O caso faz parte de uma série de medidas determinadas pelo STF relacionadas aos processos que envolvem o ex-presidente. Entre elas estão ações destinadas ao acompanhamento do cumprimento das restrições impostas pela Corte e outras providências consideradas necessárias para garantir a execução das decisões judiciais.
Até o momento, a defesa de Jair Bolsonaro não anunciou se pretende apresentar novos recursos ou pedidos relacionados especificamente à apreensão da espingarda. Também não houve confirmação sobre eventual contestação da medida adotada pelo Supremo.
Enquanto isso, o processo segue em tramitação no STF, onde deverão ser analisados os próximos desdobramentos das investigações e as medidas eventualmente necessárias no decorrer da ação.
