Novo cenário divulgado favorece Flávio na disputa com Lula

Flávio Bolsonaro lidera engajamento nas redes sociais entre pré-candidatos, aponta levantamento

Um levantamento realizado pela consultoria Bites revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi o pré-candidato à Presidência da República com maior volume de interações nas redes sociais durante a maior parte do primeiro semestre de 2026. O estudo analisou o desempenho dos principais nomes cotados para a disputa presidencial e concluiu que o parlamentar liderou o índice de engajamento em praticamente todo o período avaliado.

A pesquisa considera a soma de curtidas, comentários e compartilhamentos registrados nas principais plataformas digitais. Diferentemente do número de seguidores, esse indicador mede o nível de participação do público em relação ao conteúdo publicado, mostrando a capacidade de uma personalidade política mobilizar sua audiência.

Embora outros pré-candidatos também tenham registrado momentos de destaque ao longo do semestre, Flávio Bolsonaro manteve uma presença constante entre os perfis mais engajados, reforçando o peso das redes sociais no cenário político brasileiro.

Engajamento cresceu ao longo do semestre

Os dados mostram que Flávio Bolsonaro iniciou o ano em alta nas plataformas digitais e permaneceu na liderança durante quase todos os meses analisados.

O melhor desempenho ocorreu em março, quando o senador ultrapassou a marca de 32 milhões de interações. O resultado refletiu um período de intensa atividade nas redes sociais, com grande participação dos usuários em suas publicações.

Segundo a consultoria, esse desempenho demonstra elevada capacidade de mobilização do público, fator considerado estratégico em períodos que antecedem campanhas eleitorais.

A liderança foi interrompida apenas em abril, quando Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e integrante do partido Novo, assumiu temporariamente a primeira colocação.

Episódio impulsionou desempenho de Romeu Zema

O crescimento registrado por Romeu Zema aconteceu em meio à ampla repercussão de um embate público envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

A discussão ganhou grande visibilidade nas redes sociais e provocou um aumento significativo nas interações relacionadas ao ex-governador, permitindo que ele ultrapassasse Flávio Bolsonaro naquele mês.

Entretanto, o levantamento aponta que esse crescimento foi pontual. Após o encerramento da repercussão do episódio, o volume de interações voltou a diminuir.

Com isso, Flávio Bolsonaro recuperou a liderança e permaneceu na primeira posição durante as semanas seguintes, mantendo um desempenho mais consistente ao longo do semestre.

Lula lidera em seguidores, mas não em interações

O estudo também analisou o desempenho digital do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que continua sendo o político com a maior base de seguidores entre os nomes monitorados.

Ao final de junho, Lula acumulava aproximadamente 38,9 milhões de seguidores considerando todas as plataformas digitais analisadas pela consultoria.

Apesar desse alcance, o levantamento mostra que o presidente registrou menos interações do que Flávio Bolsonaro durante a maior parte do período avaliado.

Os pesquisadores ressaltam que possuir uma audiência maior não significa, necessariamente, obter maior participação do público nas publicações.

Em diversos momentos do semestre, Lula apresentou um comportamento mais estável nas redes, sem oscilações tão intensas quanto as verificadas em outros pré-candidatos.

Diferença entre seguidores e engajamento

Um dos principais pontos destacados pela consultoria é a diferença entre as métricas utilizadas na análise.

O número de seguidores representa a quantidade de pessoas que acompanham determinado perfil nas redes sociais, indicando o tamanho potencial da audiência.

Já o índice de engajamento mede o comportamento desses usuários diante das publicações, contabilizando curtidas, comentários e compartilhamentos.

Isso significa que um perfil pode reunir milhões de seguidores, mas registrar poucas interações, enquanto outro, mesmo com uma base menor, consegue mobilizar mais intensamente seu público.

Segundo os pesquisadores, ambas as métricas são importantes, mas refletem aspectos distintos da presença digital de cada político.

Momentos políticos influenciaram os resultados

O levantamento também identificou que acontecimentos políticos tiveram impacto direto no desempenho dos pré-candidatos nas redes sociais.

No caso do presidente Lula, um dos maiores picos de interação ocorreu durante o mês de maio, quando um vídeo em defesa da valorização do Brasil alcançou ampla repercussão entre os usuários das plataformas digitais.

Ainda assim, esse crescimento não foi suficiente para alterar a liderança geral observada ao longo do semestre.

Para os analistas, temas de grande repercussão costumam provocar aumentos temporários nas interações, especialmente quando envolvem debates políticos ou acontecimentos de ampla cobertura da imprensa.

Redes sociais ganham importância no cenário eleitoral

Especialistas lembram que o desempenho nas redes sociais se tornou um dos principais indicadores acompanhados por partidos políticos e equipes de campanha.

A capacidade de alcançar milhões de pessoas, estimular debates e incentivar o compartilhamento de conteúdos passou a exercer papel cada vez mais relevante nas estratégias eleitorais.

No entanto, os pesquisadores ressaltam que altos índices de engajamento não devem ser interpretados como intenção de voto.

Pesquisas eleitorais utilizam metodologias diferentes, baseadas em entrevistas com amostras representativas da população, enquanto estudos sobre redes sociais analisam exclusivamente o comportamento dos usuários nas plataformas digitais.

Mesmo com essa diferença, o levantamento da consultoria Bites reforça que o ambiente digital continuará sendo um espaço estratégico para a comunicação política nos próximos meses. A mobilização dos apoiadores, a velocidade na circulação de informações e o alcance das publicações tendem a influenciar o debate público durante o período que antecede as eleições, ainda que esses indicadores não determinem, isoladamente, o resultado das urnas.

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