Lula pretende reenviar nome de Jorge Messias ao STF após rejeição no Senado

Lula pretende reenviar nome de Jorge Messias ao STF após rejeição no Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia reenviar ao Senado Federal a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição histórica sofrida pelo advogado-geral da União no plenário da Casa. A informação foi divulgada por veículos da imprensa nacional e repercutiu fortemente nos bastidores políticos de Brasília.

A possível nova indicação acontece depois de o Senado barrar o nome de Jorge Messias em uma votação considerada histórica. Em abril de 2026, o indicado recebeu 34 votos favoráveis, 42 contrários e uma abstenção, número insuficiente para garantir aprovação. Foi a primeira vez, desde a Constituição de 1988, que um nome indicado à Suprema Corte foi rejeitado pelos senadores.

Lula vê rejeição como derrota política do governo

Segundo aliados do presidente, Lula considera que a derrota não representou uma rejeição pessoal a Jorge Messias, mas sim um movimento político contra o governo federal. Pessoas próximas afirmam que o presidente entende não existir justificativa técnica para barrar o atual chefe da Advocacia-Geral da União.

Nos bastidores, Lula teria dito que a escolha de ministros do STF é uma prerrogativa constitucional da Presidência da República e que pretende reafirmar essa autoridade ao insistir no mesmo nome. A estratégia também serviria para demonstrar confiança política em Jorge Messias após a derrota no Senado.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente pretende reenviar a indicação antes das eleições de outubro, aproveitando um cenário político que possa ser mais favorável ao governo.

Rejeição foi considerada histórica

A rejeição de Jorge Messias ao STF teve enorme repercussão política porque situações semelhantes são extremamente raras na história republicana brasileira. O último caso de rejeição de um indicado ao Supremo havia ocorrido em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

Antes da votação em plenário, Messias enfrentou uma longa sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi aprovado por margem apertada. Durante a sessão, senadores da oposição fizeram questionamentos sobre liberdade de expressão, atuação da AGU e temas ligados ao Supremo Tribunal Federal.

A derrota foi vista por analistas políticos como um duro recado do Senado ao governo federal, revelando dificuldades de articulação política do Palácio do Planalto junto ao Congresso Nacional.

Resistência política dificultou aprovação

A indicação de Jorge Messias enfrentou resistência desde o início. Parlamentares da oposição criticaram sua proximidade com o governo Lula e questionaram decisões tomadas pela Advocacia-Geral da União sob sua gestão.

Além da oposição, setores do chamado “centrão” e lideranças importantes do Senado demonstraram desconforto com a escolha. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, era apontado como defensor de outros nomes para a vaga no STF, especialmente o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco.

Nos meses anteriores à votação, houve tensão entre o Planalto e o Senado devido ao atraso no envio oficial da mensagem presidencial com a indicação de Messias. O episódio aumentou o desgaste político e alimentou especulações sobre uma possível articulação para dificultar a aprovação do nome.

Jorge Messias continua prestigiado no governo

Apesar da derrota no Senado, Jorge Messias permanece como um dos principais aliados jurídicos de Lula dentro do governo federal. Integrante da AGU desde 2007, ele já ocupou funções estratégicas em governos petistas e mantém forte proximidade política com o presidente.

Após a rejeição, Messias afirmou publicamente respeitar a decisão soberana do Senado, mas também sugeriu que fatores políticos influenciaram o resultado da votação.

Dentro do governo, ministros e aliados defendem que o advogado-geral possui perfil técnico e experiência suficiente para ocupar uma cadeira na Suprema Corte. O próprio Lula teria reforçado essa avaliação após acompanhar a sabatina e as manifestações de apoio recebidas pelo AGU.

Novo embate entre Planalto e Senado pode surgir

Caso Lula realmente decida reenviar o nome de Jorge Messias, o governo poderá enfrentar um novo confronto político com o Senado. A medida tende a aumentar a tensão entre os poderes e colocar novamente à prova a capacidade de articulação do Palácio do Planalto.

Analistas avaliam que uma segunda rejeição teria impacto ainda mais forte sobre o governo federal, enquanto uma eventual aprovação seria vista como demonstração de força política de Lula. O cenário também deve influenciar diretamente as negociações envolvendo cargos, pautas econômicas e alianças partidárias nos próximos meses.

Enquanto o governo calcula os riscos políticos da decisão, o futuro da vaga no STF segue indefinido e continua sendo um dos assuntos mais comentados nos bastidores de Brasília.

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