Kassio manda Meta preservar dados de perfis que atacaram Flávio

TSE determina preservação de dados da Meta em investigação sobre suposta campanha digital contra Flávio Bolsonaro

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocou as plataformas digitais no centro de uma investigação envolvendo o processo eleitoral. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, preserve todos os registros, logs e informações relacionados a perfis investigados por suposta atuação coordenada contra o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). A medida foi adotada em caráter sigiloso e atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal, que aponta indícios de movimentações financeiras consideradas incomuns para impulsionar conteúdos nas redes sociais.

A determinação tem como objetivo garantir a preservação de provas digitais que poderão ser utilizadas em futuras investigações. Entre os dados que deverão permanecer armazenados estão informações de cadastro, registros de acesso, histórico de pagamentos, endereços de IP e demais elementos técnicos capazes de auxiliar na identificação dos responsáveis pelas campanhas publicitárias sob análise.

Partido aponta movimentações financeiras atípicas

Segundo a representação apresentada ao TSE, a equipe jurídica do Partido Liberal identificou um conjunto de perfis que teria investido valores elevados na promoção de conteúdos críticos ao pré-candidato.

De acordo com os documentos encaminhados à Justiça Eleitoral, diversas contas recém-criadas, com número reduzido de seguidores e pouca atividade orgânica, teriam realizado investimentos expressivos em anúncios patrocinados. A legenda sustenta que algumas dessas páginas possuíam apenas algumas dezenas de seguidores, mas movimentaram valores significativamente superiores ao que normalmente é observado em campanhas digitais desse porte.

A petição também afirma que parte dos pagamentos teria sido realizada utilizando moedas estrangeiras, fator que passou a integrar os elementos apresentados para fundamentar o pedido de investigação.

Monitoramento identificou padrão semelhante entre perfis

Conforme relatado pelos advogados do partido, os indícios começaram a ser observados durante o acompanhamento rotineiro das bibliotecas de anúncios disponibilizadas pelas próprias plataformas digitais.

Segundo a equipe técnica da campanha, foi identificado um conjunto de contas que apresentava características semelhantes, como curto período de atividade, reduzida interação orgânica e grande volume de investimentos em publicidade patrocinada.

A análise realizada pelo partido aponta que dezenas de perfis teriam atuado de forma parecida ao longo de vários meses, promovendo milhares de anúncios com elevado alcance nas redes sociais.

Preservação das provas é considerada prioridade

Ao acolher o pedido, o presidente do TSE determinou que todas as informações relacionadas aos perfis investigados permaneçam preservadas até nova deliberação da Justiça Eleitoral.

Na prática, a decisão impede que registros importantes sejam apagados automaticamente pelos sistemas das plataformas ou removidos em razão do encerramento das campanhas publicitárias.

Entre os dados que deverão permanecer armazenados estão informações sobre contas utilizadas para pagamento, histórico das campanhas, registros técnicos de conexão, localização dos acessos e demais elementos que possam contribuir para esclarecer a origem dos investimentos.

A preservação dessas informações é considerada uma etapa importante em investigações envolvendo crimes digitais e possíveis irregularidades eleitorais.

Investigação poderá avançar

Com a manutenção dos registros, investigadores poderão realizar análises mais detalhadas sobre a origem dos recursos utilizados nas campanhas patrocinadas.

O objetivo é verificar se houve eventual financiamento irregular, utilização de estruturas coordenadas ou qualquer prática que possa contrariar a legislação eleitoral vigente.

Caso sejam identificadas irregularidades, os responsáveis poderão ser chamados a prestar esclarecimentos, além da possibilidade de adoção de outras medidas previstas pela legislação.

Redes sociais seguem sob atenção da Justiça Eleitoral

Nos últimos anos, o monitoramento da propaganda política na internet passou a ocupar posição central nas eleições brasileiras.

O crescimento do uso de anúncios patrocinados, impulsionamento de conteúdos e campanhas realizadas por meio das redes sociais levou a Justiça Eleitoral a ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o ambiente digital.

Além da divulgação de conteúdos políticos, órgãos eleitorais acompanham aspectos relacionados ao financiamento das campanhas, à transparência dos anúncios, à identificação dos patrocinadores e ao cumprimento das regras estabelecidas para propaganda eleitoral.

Caso poderá influenciar futuras investigações

A decisão de preservar os registros da Meta poderá servir como base para novas apurações relacionadas ao uso das plataformas digitais durante o período eleitoral.

Especialistas apontam que a manutenção dessas informações permite uma análise mais completa das operações realizadas no ambiente virtual e facilita a identificação de eventuais estruturas organizadas de divulgação de conteúdo patrocinado.

Enquanto a investigação prossegue sob sigilo, caberá à Justiça Eleitoral analisar os dados preservados e decidir sobre os próximos passos do procedimento. O caso reforça a crescente importância das provas digitais nas disputas eleitorais e evidencia o papel das plataformas de tecnologia na preservação de informações que possam contribuir para a apuração de possíveis irregularidades durante as campanhas políticas.

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