Fachin avalia afastar Mendonça para assumir comando do caso Master

 

Fachin avalia assumir relatorias de casos do Banco Master e INSS em meio Ă  crise no STF

Presidente do Supremo analisa alternativa para reduzir tensĂ£o entre ministros

A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) abriu espaço para uma possĂ­vel mudança na conduĂ§Ă£o de investigações de grande repercussĂ£o nacional. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, avalia assumir temporariamente as relatorias de processos relacionados ao Banco Master e Ă s apurações envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente sob responsabilidade do ministro AndrĂ© Mendonça.

A possibilidade vem sendo discutida como uma alternativa para reduzir a tensĂ£o entre integrantes do tribunal e preservar o funcionamento institucional do Supremo diante das divergĂªncias que passaram a envolver Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.

AtĂ© o momento, porĂ©m, nĂ£o hĂ¡ confirmaĂ§Ă£o de que a mudança serĂ¡ efetivamente adotada. A hipĂ³tese permanece em anĂ¡lise e depende de questões regimentais e processuais.

DiscussĂ£o começou antes dos novos conflitos

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Fachin e seus assessores passaram a analisar alternativas para lidar com a crise desde domingo (6), antes mesmo de algumas das decisões de Mendonça que ampliaram a repercussĂ£o do caso.

Entre as possibilidades avaliadas estaria a retirada temporĂ¡ria de Mendonça da conduĂ§Ă£o dos processos relacionados ao Banco Master e ao INSS. A alternativa tambĂ©m teria sido discutida por ministros prĂ³ximos a Moraes.

A ideia seria separar a conduĂ§Ă£o dos processos das divergĂªncias institucionais e jurĂ­dicas que passaram a envolver integrantes do Supremo. A avaliaĂ§Ă£o nos bastidores Ă© de que uma eventual mudança poderia reduzir pontos de atrito e permitir que as investigações continuassem sem serem diretamente afetadas pelo conflito entre ministros.

Fachin, entretanto, estaria tratando o assunto dentro de uma estratĂ©gia mais ampla, voltada Ă  preservaĂ§Ă£o do funcionamento da Corte e Ă  reduĂ§Ă£o dos efeitos institucionais da crise.

Pedido contra Mendonça foi retirado do inquérito das fake news

A atuaĂ§Ă£o de Fachin ganhou destaque depois que o presidente do STF determinou que um pedido apresentado por Alexandre de Moraes para investigar AndrĂ© Mendonça fosse retirado do chamado inquĂ©rito das fake news.

Moraes havia levantado suspeitas envolvendo possĂ­veis prĂ¡ticas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade atribuĂ­das a Mendonça. Fachin decidiu que a anĂ¡lise da iniciativa deveria ocorrer fora de um procedimento que estava sob relatoria de Moraes.

A decisĂ£o tambĂ©m abriu espaço para que as acusações e os questionamentos entre os ministros sejam levados ao plenĂ¡rio do Supremo.

A transferĂªncia do debate para o colegiado permitiria que os demais integrantes da Corte participassem diretamente da anĂ¡lise, em vez de concentrar a discussĂ£o em decisões individuais.

Afastamento de dirigentes da PF aumenta tensĂ£o

A crise ganhou uma nova dimensĂ£o na terça-feira (8), quando AndrĂ© Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PolĂ­cia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do entĂ£o diretor de InteligĂªncia Policial, Leandro Almada.

A decisĂ£o passou a ser analisada pela Segunda Turma do STF e chegou a obter maioria favorĂ¡vel Ă  manutenĂ§Ă£o do afastamento. O julgamento, porĂ©m, foi interrompido apĂ³s um pedido de vista apresentado pelo ministro Gilmar Mendes.

O episĂ³dio provocou reaĂ§Ă£o dentro da prĂ³pria PolĂ­cia Federal. Diretores da corporaĂ§Ă£o manifestaram apoio a Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos Ă  disposiĂ§Ă£o, ampliando a repercussĂ£o da decisĂ£o sobre a estrutura administrativa da instituiĂ§Ă£o.

Com isso, uma controvĂ©rsia que inicialmente estava concentrada no Ă¢mbito do Supremo passou a produzir efeitos tambĂ©m sobre o comando da principal instituiĂ§Ă£o federal de investigaĂ§Ă£o do paĂ­s.

Governo acompanha disputa e avalia medidas jurĂ­dicas

Paralelamente às discussões internas do Supremo, Edson Fachin manteve contatos com integrantes do governo federal.

Na terça-feira, o presidente da Corte se reuniu com o advogado-geral da UniĂ£o, Jorge Messias, e com o ministro da Justiça, Wellington CĂ©sar Lima e Silva.

A Advocacia-Geral da UniĂ£o avalia medidas jurĂ­dicas contra a decisĂ£o que afastou os dirigentes da PolĂ­cia Federal. Uma das questões em anĂ¡lise envolve a competĂªncia constitucional da PresidĂªncia da RepĂºblica para nomear e exonerar o diretor-geral da corporaĂ§Ă£o.

O assunto ganhou relevĂ¢ncia porque a decisĂ£o judicial interferiu diretamente na permanĂªncia de um dirigente escolhido pelo presidente Luiz InĂ¡cio Lula da Silva.

A posiĂ§Ă£o de Jorge Messias tambĂ©m Ă© acompanhada com atenĂ§Ă£o, uma vez que o advogado-geral da UniĂ£o mantĂ©m interlocuĂ§Ă£o com diferentes integrantes do Supremo e aparece mencionado em documentos produzidos no contexto das investigações.

PossĂ­vel mudança nas relatorias ainda nĂ£o estĂ¡ definida

A eventual transferĂªncia das relatorias dos processos relacionados ao Banco Master e ao INSS para Edson Fachin seria mais uma medida dentro do esforço para reorganizar a conduĂ§Ă£o das investigações.

Caso seja adotada, a mudança poderia alterar a dinĂ¢mica dos processos e retirar temporariamente AndrĂ© Mendonça de casos que passaram a estar associados Ă  crise entre ministros.

No entanto, a medida ainda Ă© apenas uma possibilidade. Questões regimentais, processuais e institucionais precisam ser consideradas antes de qualquer alteraĂ§Ă£o na relatoria.

O debate ocorre em um momento no qual diferentes decisões individuais passaram a gerar consequĂªncias para outros integrantes do JudiciĂ¡rio, para o governo federal e para a PolĂ­cia Federal.

STF busca preservar funcionamento institucional

A avaliaĂ§Ă£o sobre uma eventual mudança de relatoria mostra a preocupaĂ§Ă£o existente dentro do Supremo com os efeitos das divergĂªncias entre seus integrantes.

A estratĂ©gia atribuĂ­da a Fachin busca manter os processos em andamento e, ao mesmo tempo, evitar que disputas entre ministros interfiram diretamente na conduĂ§Ă£o de investigações de interesse nacional.

Enquanto nĂ£o existe uma decisĂ£o definitiva sobre a mudança, o Supremo continua acompanhando os recursos e julgamentos relacionados ao afastamento dos dirigentes da PolĂ­cia Federal e aos processos envolvendo o Banco Master e o INSS.

Os prĂ³ximos movimentos de Fachin e uma eventual anĂ¡lise pelo plenĂ¡rio deverĂ£o indicar como a Corte pretende administrar a crise. A definiĂ§Ă£o poderĂ¡ estabelecer novos parĂ¢metros para a conduĂ§Ă£o de processos quando existem divergĂªncias entre ministros e questões que atingem simultaneamente o JudiciĂ¡rio, o Executivo e Ă³rgĂ£os de investigaĂ§Ă£o.

 

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