Defesa confirma entrega das armas de Bolsonaro à PF nesta segunda

 

Defesa de Bolsonaro entrega armas à Polícia Federal após decisão do STF

Entrega de armamentos atende determinação judicial

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro realizará a entrega de oito armas registradas em seu nome à Polícia Federal, cumprindo uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida integra o conjunto de restrições estabelecidas pela Corte para a manutenção da prisão domiciliar concedida ao ex-presidente.

Além da entrega dos armamentos, a decisão determina a revogação do porte de arma e do Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), impedindo Bolsonaro de manter autorização para possuir ou utilizar armas de fogo dentro das condições previstas pela legislação.

De acordo com a defesa, praticamente todas as armas listadas na decisão judicial serão encaminhadas à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Apenas duas armas da fabricante Caracal não serão entregues nesta etapa, pois já haviam sido encaminhadas anteriormente ao Tribunal de Contas da União (TCU) em cumprimento a outra determinação judicial.

Decisão mantém prisão domiciliar

A determinação foi proferida após a análise do pedido da defesa para manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente. Os advogados buscavam demonstrar que não havia fundamentos suficientes para revogar o benefício concedido anteriormente.

O principal fato analisado pelo ministro foi a apreensão de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro durante uma abordagem realizada pela Polícia do Distrito Federal. Na ocasião, a arma estava em posse de um integrante da equipe de segurança do ex-presidente.

Segundo o segurança, o armamento havia sido retirado apenas para passar por manutenção, sem qualquer intenção de descumprir ordens judiciais. A defesa utilizou essa explicação para sustentar que não existia irregularidade capaz de justificar uma punição mais severa.

Após avaliar os argumentos apresentados, Alexandre de Moraes concluiu que o episódio, por si só, não representava falta grave suficiente para determinar o retorno de Bolsonaro ao regime prisional anterior. Dessa forma, o benefício da prisão domiciliar foi mantido.

Revogação do porte de arma

Embora tenha mantido a prisão domiciliar, o ministro considerou que a permanência das armas em nome do ex-presidente não era compatível com sua atual situação jurídica.

Na avaliação apresentada na decisão, uma pessoa condenada criminalmente deixa de preencher requisitos legais considerados indispensáveis para manter registros e autorizações relacionados à posse e ao porte de armas de fogo.

Com esse entendimento, Alexandre de Moraes determinou a revogação definitiva do porte de arma de Bolsonaro, além do cancelamento de seu Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador.

A decisão representa uma mudança importante na situação do ex-presidente, que perde todas as autorizações anteriormente concedidas para manter armamentos registrados em seu nome dentro das categorias previstas pela legislação.

Parecer da Procuradoria-Geral da República

Outro ponto que influenciou a decisão foi o parecer apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão destacou que a legislação brasileira estabelece critérios rigorosos para a manutenção do registro de armas.

Entre esses requisitos estão a comprovação de idoneidade e a apresentação de certidões negativas de antecedentes criminais. Segundo a manifestação da PGR, essas exigências deixaram de ser atendidas após a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Com base nessa interpretação, o órgão concluiu que não existiam mais condições legais para a permanência do registro como CAC, entendimento que foi acolhido pelo ministro ao proferir sua decisão.

Diversos armamentos serão recolhidos

A ordem judicial determina a apreensão de todas as armas vinculadas ao registro do ex-presidente no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma).

Entre os armamentos cadastrados estão pistolas, carabinas, fuzis e espingardas pertencentes a diferentes fabricantes reconhecidos no mercado. O objetivo é garantir o cumprimento integral da decisão e impedir que Bolsonaro permaneça com qualquer arma registrada em seu nome durante o cumprimento da pena.

A defesa informou que colaborará com as autoridades para efetivar a entrega dos equipamentos, atendendo às determinações impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

Vitória parcial para a defesa

Apesar das novas restrições, a manutenção da prisão domiciliar foi considerada uma vitória parcial para a defesa do ex-presidente. Os advogados conseguiram convencer o ministro de que o episódio envolvendo a pistola apreendida não configurou uma infração grave suficiente para justificar a revogação do benefício.

Por outro lado, a decisão endurece significativamente as limitações impostas a Bolsonaro ao retirar todas as autorizações relacionadas ao porte e ao registro de armas.

Na prática, o ex-presidente permanecerá em prisão domiciliar e sem qualquer autorização legal para manter armas de fogo ou exercer atividades vinculadas ao Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador enquanto perdurar o cumprimento da pena determinada pela Justiça.

Com isso, a decisão busca compatibilizar a manutenção da prisão domiciliar com a aplicação das restrições consideradas necessárias pelo Supremo Tribunal Federal diante da atual condição jurídica do ex-presidente, reforçando o cumprimento das normas previstas na legislação sobre controle de armas e registro de CAC.

 

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