Deputado italiano questiona cidadania de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro
O reconhecimento da cidadania italiana de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro passou a ser alvo de questionamentos políticos na Itália. O deputado Angelo Bonelli, integrante do partido Europa Verde, solicitou esclarecimentos ao governo italiano sobre os procedimentos utilizados para conceder a nacionalidade aos três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O parlamentar quer verificar se os processos seguiram as exigências legais e se os critérios de atendimento foram aplicados de maneira igualitária em comparação com os de outros brasileiros que aguardam o reconhecimento da cidadania por descendência. O pedido foi encaminhado aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália em 28 de outubro de 2026.
A iniciativa ocorre em meio às reclamações de brasileiros que enfrentam longas filas nos consulados italianos para apresentar documentos e concluir os procedimentos necessários à obtenção da nacionalidade.
Deputado pede informações sobre os processos
Segundo informações divulgadas sobre o requerimento, Bonelli solicitou dados referentes às datas, às etapas e aos critérios utilizados nos pedidos dos irmãos Bolsonaro. O objetivo é compreender como os processos avançaram e quais procedimentos administrativos foram adotados pelas autoridades responsáveis.
O deputado também pretende esclarecer se houve algum tipo de convocação prioritária e quais regras determinaram a ordem de atendimento. Outro ponto levantado é a quantidade de solicitantes que já estavam inscritos nas filas consulares antes dos pedidos dos filhos do ex-presidente e que ainda aguardavam uma oportunidade para apresentar a documentação.
A iniciativa não representa, por si só, uma acusação formal de fraude ou a comprovação de tratamento privilegiado. O pedido busca obter informações oficiais que permitam avaliar se os procedimentos respeitaram as normas aplicáveis.
Flávio e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida em 2023
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, Flávio e Eduardo Bolsonaro tiveram suas cidadanias italianas reconhecidas em 2023. Carlos Bolsonaro recebeu o reconhecimento em 2024.
Os processos dos dois primeiros irmãos chamaram a atenção porque eles haviam solicitado inscrição na fila de espera da Embaixada da Itália em Brasília em 2020. Em 8 de novembro de 2022, ambos compareceram pessoalmente à representação diplomática para dar andamento aos pedidos.
A data ficou em evidência por ter ocorrido nove dias após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras daquele ano.
A proximidade temporal entre os acontecimentos foi mencionada no contexto dos questionamentos apresentados por Bonelli. O parlamentar pretende esclarecer quais fatores contribuíram para a conclusão dos procedimentos e se o tempo de tramitação seguiu os critérios normalmente aplicados a outros solicitantes.
Conforme informações citadas no requerimento, os processos de Flávio e Eduardo foram concluídos em aproximadamente um ano. A apuração solicitada deverá esclarecer as circunstâncias administrativas desse andamento.
Filas consulares motivam questionamentos
Um dos principais pontos levantados pelo deputado italiano é a diferença entre o tempo necessário para concluir os processos dos irmãos Bolsonaro e a espera enfrentada por milhares de brasileiros interessados no reconhecimento da cidadania.
O requerimento menciona que as filas consulares chegaram a apresentar períodos de espera de até dez anos. Também cita dados segundo os quais, em 2018, mais de 112 mil solicitações aguardavam atendimento no Brasil.
Esses números são utilizados para contextualizar a dimensão da demanda e justificar o pedido de informações sobre os critérios de convocação e processamento dos documentos.
É importante distinguir, nesse contexto, o prazo de análise de um processo já apresentado e a espera para conseguir atendimento consular. São etapas diferentes: mesmo quando existe um prazo legal para a conclusão do reconhecimento após a entrega da documentação completa, a disponibilidade de agendamento pode provocar atrasos consideráveis.
As condições específicas de cada procedimento, portanto, precisam ser consideradas para que seja possível avaliar se houve diferença de tratamento.
Reconhecimento ocorre pelo princípio do direito de sangue
A cidadania italiana dos três irmãos foi reconhecida com base no princípio jurídico conhecido como jus sanguinis, expressão em latim que significa “direito de sangue”. Esse mecanismo permite o reconhecimento da nacionalidade italiana por descendência, desde que sejam atendidos os requisitos previstos na legislação.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, os documentos apresentados pela família fazem referência a um bisavô de Jair Bolsonaro nascido na região do Vêneto, no norte da Itália.
O reconhecimento por descendência depende da comprovação documental dos vínculos familiares e do cumprimento das exigências legais aplicáveis. Por isso, o questionamento de Bonelli está relacionado não apenas ao direito à nacionalidade, mas também aos procedimentos administrativos utilizados para analisar e concluir os pedidos.
A resposta das autoridades italianas poderá esclarecer quais documentos foram apresentados, como ocorreu a tramitação e quais critérios foram considerados em cada processo, respeitadas as regras de acesso às informações pessoais.
Viagem de Flávio aos Estados Unidos amplia repercussão
O assunto ganhou visibilidade adicional após reportagens de 29 de outubro de 2026 mencionarem o uso de um passaporte italiano por Flávio Bolsonaro em uma viagem internacional.
Segundo as informações divulgadas, o senador deixou a Argentina e seguiu para os Estados Unidos. O episódio trouxe novamente à discussão a utilização de uma segunda nacionalidade por cidadãos brasileiros, especialmente quando há repercussões políticas relacionadas a deslocamentos internacionais.
A existência de cidadania estrangeira, por si só, não comprova irregularidade nem permite concluir que o documento tenha sido utilizado para evitar qualquer procedimento legal. As circunstâncias da viagem e seus eventuais efeitos jurídicos precisam ser avaliados com base em informações verificáveis.
Bonelli também mencionou o caso da ex-deputada federal Carla Zambelli, que possui cidadania italiana e enfrentou processos judiciais no Brasil. A referência foi utilizada no contexto da defesa de maior transparência sobre os procedimentos de concessão da nacionalidade.
Os casos, contudo, envolvem situações distintas e devem ser examinados individualmente, sem presumir que as circunstâncias jurídicas de uma pessoa sejam equivalentes às de outra.
Pedido não significa cancelamento da cidadania
A iniciativa do deputado italiano não significa que as cidadanias de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro tenham sido anuladas ou que uma irregularidade tenha sido comprovada. Até o momento descrito nas informações divulgadas, trata-se de um pedido de esclarecimentos para verificar os procedimentos administrativos adotados.
Também não havia uma data definida para a resposta oficial dos ministérios italianos. A manifestação do governo poderá esclarecer os critérios utilizados, as etapas cumpridas e as circunstâncias que influenciaram o andamento dos processos.
Enquanto aguardam os esclarecimentos, os questionamentos mantêm em evidência a situação de milhares de brasileiros que buscam o reconhecimento da cidadania italiana por descendência.
O desdobramento do caso dependerá das informações apresentadas pelas autoridades italianas. A análise deverá permitir compreender se os procedimentos seguiram as regras estabelecidas e quais fatores explicam o tempo de tramitação dos pedidos dos três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
