Após decisão desfavorável, família de Moraes volta à Justiça contra Alessandro Vieira

 

Família de Alexandre de Moraes recorre contra decisão que rejeitou ação de R$ 60 mil

A esposa e os dois filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recorreram de uma decisão da Justiça de São Paulo que rejeitou uma ação por danos morais movida contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A família pede uma indenização total de R$ 60 mil, sob a alegação de que declarações feitas pelo parlamentar teriam associado seus integrantes ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ação foi apresentada por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e pelos filhos Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes. Cada um dos autores solicitou R$ 20 mil de indenização. O recurso foi protocolado em 24 de agosto e busca modificar o entendimento adotado pela primeira instância.

A origem da disputa

A controvérsia teve início durante uma entrevista concedida por Alessandro Vieira ao SBT News, em março, quando o senador comentava questões relacionadas ao Banco Master e às discussões envolvendo a CPI do Crime Organizado.

Segundo a interpretação apresentada pelos familiares de Alexandre de Moraes, as declarações feitas durante a entrevista teriam estabelecido uma relação entre eles, recursos financeiros e o PCC.

A defesa da família sustenta que a fala não poderia ser considerada apenas um mal-entendido ou uma interpretação equivocada. Para os advogados, ao mencionar uma suposta circulação de recursos envolvendo uma organização criminosa e familiares de ministros do STF, o senador teria produzido uma associação capaz de atingir diretamente a reputação dos autores da ação.

A família argumenta que a exposição pública das declarações teria provocado consequências negativas para a imagem profissional de Viviane, Giuliana e Alexandre, todos ligados à área jurídica.

Defesa do senador apresentou outra interpretação

A defesa de Alessandro Vieira contestou essa interpretação e afirmou que a referência feita pelo parlamentar durante a entrevista estava relacionada ao Banco Master.

Segundo os advogados do senador, não houve afirmação de que os familiares de Alexandre de Moraes tivessem recebido diretamente dinheiro proveniente do PCC. A argumentação foi de que as declarações deveriam ser compreendidas dentro do contexto dos pagamentos realizados pelo banco ao escritório de advocacia ligado à família.

Essa interpretação acabou prevalecendo na decisão de primeira instância.

O juiz Fabio de Souza Pimenta, da 32ª Vara Cível de São Paulo, entendeu que as declarações analisadas não apresentavam uma acusação direta de que Viviane Barci de Moraes ou os filhos do ministro tivessem recebido recursos provenientes da organização criminosa.

Justiça não identificou acusação direta

Na avaliação do magistrado, a entrevista tratava de pagamentos realizados pelo Banco Master ao escritório de advocacia relacionado à família. O juiz também considerou relevante o fato de o próprio senador ter indicado que não seria possível concluir, apenas a partir daqueles pagamentos, que os valores tivessem origem ilícita.

Dessa forma, a sentença concluiu que não houve uma afirmação clara de que recursos provenientes do PCC tivessem sido transferidos diretamente aos familiares do ministro.

O entendimento foi determinante para a rejeição do pedido de indenização. Segundo a decisão, a ação estava fundamentada especificamente na alegação de que Alessandro Vieira teria acusado os autores de receber dinheiro diretamente da facção criminosa. Como o juiz concluiu que essa afirmação não havia sido feita de maneira inequívoca, não reconheceu o dano moral alegado.

Custas e honorários também foram determinados

Além de rejeitar o pedido de indenização, a decisão de primeira instância determinou que Viviane Barci de Moraes e os dois filhos do ministro arcassem com as custas e despesas processuais.

Também foram estabelecidos honorários advocatícios equivalentes a 10% do valor atribuído à causa.

A família, entretanto, decidiu contestar a sentença e apresentou recurso para que o caso seja novamente analisado pela Justiça paulista.

Recurso questiona interpretação da sentença

Na nova manifestação, os advogados dos familiares de Alexandre de Moraes contestam a interpretação adotada pelo juiz. A defesa considera que a sentença teria feito uma leitura excessivamente favorável ao senador e sustenta que as palavras utilizadas na entrevista permitiriam compreender uma associação entre os familiares de ministros do STF e o grupo criminoso citado.

Os autores também afirmam que eventual referência ao Banco Master não seria suficiente para afastar o impacto das declarações sobre a reputação da família.

Outro ponto levantado no recurso envolve a atuação de Alessandro Vieira durante a CPI do Crime Organizado. Os advogados defendem que as declarações teriam ultrapassado os limites da imunidade parlamentar e configurado, na interpretação da família, um possível abuso no exercício da atividade política.

A tese apresentada é de que a imunidade não impediria eventual responsabilização civil caso fique caracterizado que houve excesso nas manifestações públicas.

Próximos passos dependem da Justiça

Com a apresentação do recurso, o processo entra em uma nova etapa de análise. A Justiça poderá manter a decisão de primeira instância ou modificar o entendimento sobre o conteúdo e o alcance das declarações feitas pelo senador.

O ponto central da disputa será determinar como as afirmações devem ser interpretadas e se elas efetivamente ultrapassaram os limites da crítica e da manifestação parlamentar.

O caso ocorre em um período de intensa exposição pública envolvendo Alexandre de Moraes, o STF e diferentes controvérsias relacionadas ao Judiciário. Apesar desse contexto mais amplo, a ação trata especificamente das declarações de Alessandro Vieira e da alegada associação entre os familiares do ministro, o Banco Master e o PCC.

Até que haja uma nova decisão, não existe conclusão judicial definitiva reconhecendo que os familiares tenham sido associados de forma ilícita à organização criminosa ou que tenha ocorrido dano moral indenizável.

O julgamento do recurso deverá definir se prevalecerá o entendimento inicial, segundo o qual não houve acusação direta de recebimento de recursos do PCC, ou se a Justiça paulista adotará a interpretação defendida pela família de Alexandre de Moraes.

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