Campanha de Flávio Bolsonaro mira evangélicos e busca aumentar vantagem sobre Lula

Campanha cria frente específica para diálogo com evangélicos

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu intensificar a aproximação do candidato com o eleitorado evangélico na disputa pela Presidência da República. A estratégia busca fortalecer a imagem do senador entre os religiosos, reduzir eventuais índices de rejeição e ampliar uma vantagem que ele já apresenta nas pesquisas dentro desse segmento.

Considerado um dos grupos mais relevantes para a eleição de 2026, o eleitorado evangélico vem sendo alvo de ações específicas dos principais candidatos. Flávio se declara evangélico e já participou de cerimônias religiosas de batismo. A mais recente ocorreu em janeiro deste ano, no rio Jordão, em Israel, em uma cerimônia semelhante à realizada anteriormente por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar da relação pública com a religião, a campanha pretende agora tornar essa identificação mais presente na estratégia eleitoral.

Lideranças religiosas entram no centro da articulação

A coordenação responsável pela aproximação com os evangélicos começou a atuar de forma mais intensa na última semana. Integrantes da equipe passaram a estabelecer contatos com pastores e outras lideranças religiosas, participar de grupos de comunicação ligados a igrejas e orientar o candidato sobre a linguagem utilizada em discursos destinados aos fiéis.

Um dos nomes envolvidos nessa articulação é o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A participação de parlamentares ligados ao segmento é considerada importante para ampliar os canais de comunicação entre a campanha e diferentes denominações.

A equipe também procura estabelecer contato com outros congressistas identificados com o eleitorado evangélico. O deputado Gilberto Nascimento (Podemos-SP), líder da bancada evangélica no Congresso, está entre os nomes procurados pela coordenação e deve participar de conversas com aliados de Flávio.

Encontros com pastores sĂŁo avaliados

Outra frente planejada envolve a realização de encontros entre Flávio e representantes de igrejas em diferentes regiões do país. Rio de Janeiro e Distrito Federal estão entre os locais considerados para essas agendas, que poderão envolver pastores e lideranças de grandes denominações.

Entre as igrejas que estão no radar da campanha estão o Ministério de Madureira e a Igreja Universal do Reino de Deus. A intenção é ampliar a interlocução e evitar que a estratégia fique restrita a apenas uma corrente ou denominação religiosa.

Parte desse movimento já começou a aparecer na agenda pública do senador. No último fim de semana, Flávio participou de um culto na Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, ao lado do ex-deputado federal Eduardo Cunha.

Comunicação passa a destacar referências religiosas

Além das agendas presenciais, a campanha pretende modificar parte da comunicação utilizada pelo candidato. Discursos, vídeos e manifestações públicas deverão incorporar referências à fé cristã e a temas considerados importantes para o público evangélico.

Em um evento voltado às mulheres realizado no sábado (8), em Itapetininga, no interior de São Paulo, Flávio fez declarações relacionadas à religião. O senador afirmou que, caso seja eleito, pretende realizar uma oração antes de um eventual discurso de posse.

Durante a fala, também associou sua candidatura a uma missão de caráter religioso. Flávio afirmou que pretende trabalhar para “resgatar almas” e declarou que “Deus está no comando”. Trechos do discurso foram posteriormente compartilhados com lideranças religiosas.

Pesquisas influenciam estratégia eleitoral

A ofensiva ocorre enquanto a campanha acompanha os números de Flávio entre os eleitores evangélicos. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto apontou que o senador tinha 35% das intenções de voto nesse segmento no primeiro turno, contra 28% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No conjunto do eleitorado, entretanto, o cenário era diferente. Lula aparecia com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio registrava 30%.

Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Flávio alcançava 48% entre os evangélicos, diante de 33% de Lula. Considerando todo o eleitorado, os números indicavam 44% para Lula e 39% para Flávio.

Avaliação do governo também é monitorada

A campanha também observa a percepção dos evangélicos sobre o governo federal. Segundo a mesma pesquisa, a desaprovação da administração Lula entre esse grupo caiu de 68% em abril para 57% em agosto. No mesmo período, a aprovação passou de 28% para 38%.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%.

Lula também busca fortalecer diálogo com igrejas

O movimento de Flávio ocorre paralelamente à estratégia do PT para ampliar a presença de Lula entre os evangélicos. A campanha do presidente retomou iniciativas destinadas a aproximar o candidato de igrejas, pastores e fiéis.

A disputa pelo segmento religioso, portanto, tende a permanecer como uma das frentes importantes da eleição presidencial. Flávio procura consolidar a vantagem apresentada nas pesquisas entre os evangélicos, enquanto Lula tenta reduzir essa diferença e ampliar seu apoio entre os religiosos.

Com a intensificação das agendas, a adaptação dos discursos e a aproximação com diferentes lideranças, o eleitorado evangélico passa a ocupar posição ainda mais estratégica na corrida presidencial de 2026.

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