Empresário investigado pela PF esteve três vezes na Dataprev durante governo Lula
Visitas ocorreram entre 2023 e 2025
O empresário Cleber Ribas de Oliveira, citado pela Polícia Federal em uma investigação que também envolve Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, esteve três vezes na sede da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), em Brasília, durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As informações foram obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e mostram que os encontros ocorreram entre agosto de 2023 e outubro de 2025. Os registros indicam reuniões com integrantes da direção da estatal, embora os documentos não apresentem detalhes sobre os assuntos tratados.
Reunião envolveu dirigente investigado
Um dos encontros ocorreu em 7 de outubro de 2025, quando Ribas se reuniu com Alan do Nascimento Santos, que ocupava o cargo de diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev.
Alan também aparece entre os investigados no contexto da Operação Sem Desconto. Em março deste ano, ele foi afastado de suas funções por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Antes dessa reunião, Ribas havia estado na Dataprev em outras duas ocasiões durante o atual governo. Em agosto de 2023, encontrou-se com Rodrigo Assumpção, presidente da estatal. Já em dezembro de 2024, teve uma reunião com Ricardo Borges, diretor de Tecnologia e Operações.
Os documentos disponibilizados por meio da LAI não esclarecem quais temas foram discutidos em nenhum dos encontros.
Dataprev afirma não ter registros dos assuntos
Procurada sobre as reuniões, a Dataprev informou que não possui registros relacionados aos assuntos discutidos nos encontros com Ribas. A estatal também destacou que não mantém contratos com a empresa 3Structure It Ltda., pertencente ao empresário.
A ausência de contratos diretos entre a empresa e a Dataprev é um dos pontos destacados na manifestação da estatal. Apesar das reuniões com dirigentes, não há registro de que os encontros tenham resultado em negócios entre as duas partes.
A defesa de Ribas também afirmou que as visitas ocorreram dentro de uma prática considerada habitual no setor de tecnologia.
Defesa diz que reuniões eram parte de prospecção comercial
Segundo a advogada Pollyana Soares, empresas de tecnologia frequentemente procuram órgãos e empresas públicas para apresentar produtos, conhecer necessidades e avaliar possíveis oportunidades comerciais.
A defesa sustenta que essa seria a finalidade das visitas realizadas por Ribas à Dataprev. O empresário já havia estado na estatal anteriormente, em março e julho de 2019, antes do atual governo.
Na segunda visita daquele ano, ele se reuniu com Christiane Almeida Edington, que ocupava a presidência da Dataprev naquele período.
A defesa reforça que os encontros não significam, por si só, qualquer irregularidade ou favorecimento.
Empresa possui contratos milionários com o governo
O nome de Cleber Ribas ganhou maior atenção após passar a ser citado em investigações da Polícia Federal relacionadas a possíveis irregularidades envolvendo contratos e descontos associados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ao solicitar a abertura de um inquérito no fim de julho, a Polícia Federal levantou a hipótese de que Ribas teria atuado em conjunto com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com a empresária Roberta Luchsinger na busca por oportunidades de negócios junto a órgãos federais.
Segundo informações levantadas no âmbito da investigação, a 3Structure It Ltda., empresa de propriedade de Ribas, firmou seis contratos com o governo federal que totalizam aproximadamente R$ 85,7 milhões.
Cinco desses contratos foram celebrados durante o atual governo. Apesar do volume de negócios com a administração federal, não existem registros de contratos diretamente firmados entre a 3Structure It e a Dataprev.
Pagamento de R$ 150 mil também é investigado
Outro elemento mencionado nas investigações envolve um pagamento de R$ 150 mil realizado pela 3Structure It à empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., relacionada a Roberta Luchsinger e ao pai dela, Roberto Luchsinger.
A informação consta de um relatório sigiloso produzido pela Polícia Federal e integra o conjunto de elementos que estão sendo analisados pelas autoridades.
Ribas afirmou, por meio de sua defesa, que contratou Roberta Luchsinger para prestar serviços de assessoria relacionados à prospecção de clientes e identificação de oportunidades de negócios na área de tecnologia.
O empresário também já declarou publicamente que mantém amizade com Fábio Luís Lula da Silva.
Defesa nega irregularidades nas relações comerciais
A defesa de Cleber Ribas rejeita a existência de irregularidades e sustenta que os contratos firmados pela 3Structure It seguiram os procedimentos administrativos previstos na legislação.
A advogada também negou que tenha ocorrido intermediação indevida ou favorecimento nas negociações realizadas pela empresa com órgãos públicos.
A defesa de Lulinha, por sua vez, criticou a abertura dos inquéritos da Polícia Federal e classificou a investigação como uma espécie de “pesca probatória”, questionando a forma como as apurações vêm sendo conduzidas.
Investigações ainda não apontam conclusão definitiva
As informações envolvendo as visitas à Dataprev, os contratos públicos e as relações profissionais entre os investigados fazem parte de apurações que ainda estão em andamento.
A existência de reuniões com dirigentes de uma estatal, a celebração de contratos com o governo ou a manutenção de relações profissionais e pessoais com pessoas investigadas não constitui, isoladamente, prova da prática de crimes.
Cabe às autoridades responsáveis pela investigação analisar documentos, contratos, movimentações financeiras e demais elementos disponíveis para determinar se houve alguma irregularidade.
Até o momento, Ribas nega qualquer conduta ilícita, enquanto as investigações seguem em andamento para esclarecer as relações comerciais e financeiras mencionadas pela Polícia Federal.
