Folha corrige informação sobre situação de Alfredo Gaspar no STF
Jornal publica errata sobre deputado
A Folha de S.Paulo publicou uma correção após divulgar uma informação imprecisa sobre o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido recentemente para ocupar a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026.
Na versão original de uma reportagem publicada na quarta-feira (5), o jornal havia informado que Gaspar era investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um caso envolvendo uma adolescente. Posteriormente, uma errata esclareceu que essa situação processual não correspondia ao estágio real do procedimento.
Até aquele momento, não havia um inquérito formalmente aberto contra o parlamentar no Supremo. O que existia era um pedido encaminhado ao tribunal para que a investigação fosse autorizada. A solicitação ainda estava sob análise do ministro Gilmar Mendes.
A correção ganhou repercussão justamente porque ocorreu pouco depois do anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente.
Pedido de investigação ainda aguardava decisão
O caso teve origem em representações apresentadas pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).
A partir das acusações apresentadas pelos parlamentares, a Polícia Federal encaminhou ao STF um pedido para abertura de inquérito. Como Alfredo Gaspar exerce mandato de deputado federal, a análise do procedimento ocorre no Supremo em razão das regras relacionadas ao foro por prerrogativa de função.
O ministro Gilmar Mendes ficou responsável por analisar o pedido e solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a abertura formal da investigação.
Segundo as informações divulgadas, a PGR solicitou novas diligências na quinta-feira (6). Dessa forma, a autorização para a abertura do inquérito continuava pendente.
Acusações ainda não foram comprovadas
As representações apresentadas às autoridades fazem referência a uma situação que teria ocorrido anos atrás. Entre as alegações está a afirmação de que Gaspar teria mantido uma relação com uma adolescente de 13 anos, da qual teria resultado uma gravidez.
Também foi relatada uma suposta tentativa de oferecer uma vantagem à família da adolescente para impedir que o episódio fosse divulgado.
As informações, entretanto, constituem alegações apresentadas em uma representação e não representam uma conclusão judicial.
Até o momento mencionado no caso, não havia decisão do STF reconhecendo responsabilidade do deputado, nem investigação formalmente instaurada pelo tribunal.
A diferença entre essas etapas é relevante. Um pedido de abertura de investigação não equivale à instauração de um inquérito, assim como uma investigação não significa que tenha ocorrido uma denúncia ou uma condenação.
Alfredo Gaspar nega acusações
O deputado Alfredo Gaspar rejeita as acusações e afirma que elas são falsas.
Em abril, o parlamentar informou ter fornecido material genético para a realização de um exame de DNA. Segundo Gaspar, a iniciativa teve como objetivo contribuir para o esclarecimento dos fatos.
O deputado também adotou medidas judiciais contra os parlamentares responsáveis pelas acusações e afirmou que o episódio estaria relacionado ao ambiente de confronto político criado durante os trabalhos da CPMI do INSS.
Em pronunciamentos na Câmara dos Deputados, Gaspar defendeu que os fatos fossem devidamente apurados e sustentou que não existiriam elementos capazes de confirmar a versão apresentada contra ele.
As manifestações e o exame de DNA fazem parte da estratégia de defesa do parlamentar e ainda dependem da análise das autoridades responsáveis pelo procedimento.
Escolha para vice aumentou repercussão
A situação ganhou maior dimensão política depois que Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na eleição de 2026.
O deputado alagoano havia conquistado projeção nacional durante sua atuação como relator da CPMI do INSS, responsável por investigar suspeitas relacionadas a descontos e irregularidades envolvendo benefícios previdenciários.
Ao final dos trabalhos, Gaspar apresentou um relatório que sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O relatório apresentado pelo parlamentar, porém, acabou rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão, por 19 votos a 12. Dessa forma, o documento não se tornou o relatório final da CPMI.
Gaspar relaciona as acusações feitas contra ele ao ambiente de disputa política envolvendo os trabalhos da comissão, enquanto os autores das representações defendem que os fatos sejam investigados pelas autoridades competentes.
Correção chama atenção para precisão jurídica
A errata publicada pela Folha também reacendeu o debate sobre a importância de utilizar corretamente termos jurídicos na cobertura de casos envolvendo autoridades públicas.
Afirmar que uma pessoa “é investigada” transmite uma informação diferente de dizer que existe um pedido para abertura de investigação ainda aguardando autorização judicial.
No caso de Alfredo Gaspar, as informações disponíveis até quinta-feira (6) indicavam que a Polícia Federal havia solicitado a abertura de um inquérito, mas que o ministro Gilmar Mendes ainda não havia autorizado formalmente a investigação.
Além disso, a Procuradoria-Geral da República havia solicitado novas diligências antes de apresentar sua manifestação definitiva sobre o caso.
Próximos passos dependem do STF
A situação processual de Gaspar poderá mudar conforme o avanço das providências solicitadas pelas autoridades.
A Polícia Federal deverá realizar as diligências determinadas e encaminhar os resultados aos órgãos responsáveis. Depois disso, caberá ao ministro Gilmar Mendes avaliar novamente o pedido de abertura do inquérito.
Enquanto não houver uma decisão nesse sentido, não se pode afirmar que exista uma investigação formalmente instaurada pelo STF contra o parlamentar.
O caso deverá continuar sendo acompanhado tanto pelo meio jurídico quanto pelo cenário político, especialmente após a inclusão de Gaspar na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Por enquanto, permanecem de um lado as acusações apresentadas às autoridades e, de outro, a negativa do deputado. O esclarecimento definitivo dependerá das diligências oficiais e das decisões tomadas pelas instituições responsáveis pela apuração.
