Moraes dá 48h para defesa de Bolsonaro esclarecer quem autorizou vídeo de IA na convenção de Flávio

Alexandre de Moraes dá 48 horas para defesa de Bolsonaro explicar vídeo com IA exibido em convenção do PL

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresente esclarecimentos, no prazo de 48 horas, sobre a utilização de um vídeo produzido com inteligência artificial durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo. O material foi exibido no evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026 e passou a ser alvo de análise da Corte.

A principal questão levantada pelo ministro é se Jair Bolsonaro autorizou a reprodução digital de sua imagem e de sua voz para a produção do vídeo. A resposta poderá influenciar a avaliação do Supremo sobre um eventual descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente no processo em que foi condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

STF quer saber se houve autorização do ex-presidente

Na decisão, Alexandre de Moraes destaca que Bolsonaro permanece submetido a uma série de restrições determinadas anteriormente pelo STF. Entre elas estão limitações relacionadas à utilização direta ou indireta das redes sociais e à divulgação de manifestações de caráter político ou eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros.

Diante desse cenário, o ministro considerou necessário esclarecer se o ex-presidente teve participação na elaboração ou autorizou a divulgação do conteúdo exibido durante a convenção partidária. Caso fique comprovada a existência de consentimento ou envolvimento na produção do vídeo, a situação poderá ser analisada como um possível descumprimento das determinações judiciais atualmente em vigor.

Além disso, o despacho também menciona a necessidade de avaliar se houve eventual desrespeito à legislação eleitoral por parte do Partido Liberal ou da campanha de Flávio Bolsonaro.

Vídeo utilizou inteligência artificial para reproduzir Bolsonaro

O material exibido durante a convenção chamou atenção por utilizar recursos de inteligência artificial capazes de reproduzir com alto grau de realismo a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. A gravação foi apresentada em um telão para os participantes do evento e simulava uma mensagem do ex-presidente aos apoiadores.

Logo no início da exibição, a representação digital informava que não se tratava de uma manifestação real de Bolsonaro, mas de uma recriação produzida por inteligência artificial. Em seguida, o conteúdo fazia referências à situação jurídica do ex-presidente, afirmando que ele estaria preso por uma decisão considerada injusta e arbitrária.

Ao longo da mensagem, o personagem virtual também transmitia palavras de incentivo aos apoiadores e defendia a continuidade do projeto político representado pelo ex-presidente.

Mensagem de apoio a Flávio Bolsonaro será analisada

Em outro trecho da gravação, a versão criada por inteligência artificial pedia que os eleitores recebessem Flávio Bolsonaro como sucessor político do ex-presidente. O vídeo destacava o vínculo familiar entre ambos e apresentava o senador como responsável por dar continuidade às propostas defendidas pelo grupo político.

Para Alexandre de Moraes, esse contexto reforça a necessidade de verificar se houve participação direta ou indireta de Jair Bolsonaro na produção do material, uma vez que as medidas cautelares impostas pelo STF abrangem manifestações de natureza política e eleitoral realizadas por diferentes meios de comunicação.

A decisão também relembra que, ao autorizar a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente em março deste ano, o Supremo estabeleceu diversas condições para a manutenção do benefício, incluindo restrições relacionadas à atuação política e à comunicação pública.

Segundo o ministro, a utilização de recursos de inteligência artificial exige análise cuidadosa para verificar se houve tentativa de contornar essas limitações. Somente após o recebimento das informações prestadas pela defesa será possível avaliar eventual responsabilidade do ex-presidente ou concluir que a iniciativa partiu exclusivamente dos organizadores da convenção e do Partido Liberal.

O episódio amplia o debate sobre o uso da inteligência artificial na comunicação política e nas campanhas eleitorais, tema que vem ganhando importância diante do avanço das tecnologias capazes de reproduzir imagens, vozes e discursos com elevado grau de realismo. A decisão do STF poderá contribuir para definir os limites jurídicos da utilização dessas ferramentas no cenário eleitoral brasileiro.

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