Moraes toma grande decisão e revoga tornozeleira e medidas cautelares

Alexandre de Moraes revoga medidas cautelares contra Márcio Canella em investigação da PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a revogação de todas as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella. Com a decisão, o político deixa de utilizar tornozeleira eletrônica e fica dispensado de cumprir restrições como recolhimento domiciliar noturno, comparecimento periódico à Justiça e retenção de passaportes.

A medida também alcança o sargento da Polícia Militar Alexandre Paixão da Silva Júnior, integrante da equipe de segurança de Canella, que estava submetido às mesmas determinações judiciais.

Decisão ocorre durante investigação da Operação Unha e Carne

A revogação das cautelares foi determinada no âmbito do inquérito da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao mercado de combustíveis no estado do Rio de Janeiro, com movimentações financeiras estimadas em R$ 7,6 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado empresas e operadores financeiros para ocultar recursos de origem suspeita. Márcio Canella é citado pelos investigadores como um possível articulador político da organização, hipótese que continua sendo apurada.

Moraes aponta ausência de provas diretas

Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes afirmou que, até o momento, não existem provas diretas capazes de demonstrar a participação efetiva de Márcio Canella nas operações financeiras investigadas.

O ministro observou, entretanto, que os elementos reunidos indicam a existência de vínculos políticos, funcionais e pessoais entre o ex-prefeito e outros investigados, circunstâncias que justificam a continuidade das apurações pela Polícia Federal.

Na avaliação do relator, o atual estágio da investigação exige aprofundamento na coleta de provas antes que seja possível chegar a conclusões sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

Prisão ocorreu durante operação da Polícia Federal

Márcio Canella foi preso em flagrante no dia 7 de julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne.

Na ocasião, agentes da Polícia Federal cumpriam mandados de busca e apreensão quando localizaram um fuzil de uso restrito em um veículo vinculado ao ex-prefeito.

O episódio levou à prisão em flagrante e ao encaminhamento do caso ao Supremo Tribunal Federal para análise das medidas cabíveis.

Liberdade provisória havia sido concedida

Três dias após a prisão, Alexandre de Moraes autorizou a liberdade provisória de Canella.

Como condição para deixar a prisão, o ex-prefeito precisou cumprir uma série de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar durante o período noturno e nos fins de semana, comparecimento periódico ao Judiciário e entrega dos passaportes.

Com a nova decisão, todas essas restrições deixam de produzir efeitos.

Polícia Militar esclareceu origem do armamento

Durante o andamento das investigações, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou ao Supremo Tribunal Federal que o fuzil apreendido fazia parte do arsenal oficial da corporação.

Segundo a PM, o armamento havia sido regularmente disponibilizado para a equipe de segurança de Márcio Canella e sua utilização estava autorizada pelo então secretário da corporação, coronel Marcelo Menezes.

O registro da arma estava vinculado ao sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela escolta do ex-prefeito.

Investigação continua em andamento

Apesar da revogação das medidas cautelares, o inquérito permanece em andamento.

A Polícia Federal continuará realizando diligências para esclarecer a origem dos recursos investigados, identificar a movimentação financeira atribuída ao grupo e apurar a eventual participação de agentes públicos, empresários e demais pessoas citadas na investigação.

O Supremo ressaltou que a retirada das restrições não representa o encerramento das apurações nem constitui manifestação sobre culpa ou inocência dos investigados.

Canella comenta decisão

Após ser informado da decisão, Márcio Canella utilizou as redes sociais para comentar o caso.

Na publicação, afirmou ter recebido a notícia com gratidão, declarou confiar na Justiça e disse permanecer tranquilo enquanto aguarda o desfecho das investigações.

Próximos passos

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro foi comunicada da decisão e iniciou os procedimentos para retirar a tornozeleira eletrônica utilizada pelo ex-prefeito.

Com isso, Márcio Canella continuará respondendo ao inquérito em liberdade e sem medidas cautelares, permanecendo à disposição da Justiça sempre que houver necessidade de novos atos processuais.

Enquanto isso, a Operação Unha e Carne segue sob responsabilidade da Polícia Federal, que continuará reunindo provas e realizando diligências para esclarecer todos os fatos investigados antes da conclusão do inquérito.

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