Flávio Bolsonaro gera revolta ao dizer que Maria da Penha não serve para nada: é um “pedaço de papel”

Flávio Bolsonaro destaca proteção às mulheres como prioridade de pré-campanha presidencial

Senador apresenta propostas voltadas ao combate à violência contra mulheres

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que a defesa dos direitos das mulheres será uma das principais bandeiras de sua pré-campanha à Presidência da República. A declaração foi feita durante um encontro estadual do Partido Liberal realizado no Espírito Santo, onde o parlamentar apresentou propostas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica e à ampliação das políticas públicas destinadas ao público feminino.

Segundo o senador, a legislação atualmente em vigor, especialmente a Lei Maria da Penha, representa um importante instrumento de proteção, mas não seria suficiente para impedir a reincidência de casos de violência. Em seu discurso, Flávio defendeu o fortalecimento das punições aplicadas aos agressores e afirmou que pretende adotar medidas mais rigorosas caso venha a disputar e vencer a eleição presidencial.

O tema passou a ocupar posição de destaque na estratégia política do parlamentar, que busca ampliar sua aproximação com o eleitorado feminino e apresentar propostas específicas para esse segmento durante o período de pré-campanha.

Proposta prevê endurecimento das punições

Durante sua participação no evento, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende defender alterações na política criminal relacionada aos casos de violência contra mulheres. Entre as propostas apresentadas, está o aumento do tempo de permanência dos condenados no sistema prisional, com o objetivo de reduzir a reincidência desse tipo de crime.

O senador também criticou a realização das audiências de custódia, mecanismo previsto na legislação brasileira para que pessoas presas em flagrante sejam apresentadas rapidamente a um juiz. Na avaliação do parlamentar, esse procedimento pode resultar na soltura de suspeitos em um curto período, comprometendo a proteção das vítimas.

Ao defender mudanças, Flávio argumentou que o combate à violência doméstica exige uma atuação mais rígida do Estado, tanto na responsabilização dos autores quanto na prevenção de novos episódios.

Experiências de aliados são citadas como exemplo

Durante o encontro partidário, o senador mencionou iniciativas desenvolvidas por aliados políticos como referência para futuras políticas públicas. Entre os exemplos citados esteve o trabalho atribuído ao ex-prefeito de Vitória e pré-candidato ao governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Segundo Flávio Bolsonaro, experiências adotadas por gestores aliados demonstrariam a importância de ampliar investimentos em segurança pública e fortalecer mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência.

A utilização desses exemplos faz parte da estratégia do parlamentar de apresentar propostas baseadas em ações desenvolvidas por integrantes do mesmo campo político, buscando demonstrar possibilidades de aplicação em âmbito nacional.

Estratégia busca ampliar diálogo com eleitorado feminino

As declarações sobre violência doméstica ocorrem em um momento em que Flávio Bolsonaro procura fortalecer sua imagem junto ao público feminino. Nas últimas semanas, sua equipe intensificou a divulgação de propostas direcionadas às mulheres, inserindo esse tema entre as prioridades da pré-campanha presidencial.

O movimento acontece em meio a mudanças na estratégia de comunicação do senador e à tentativa de ampliar sua presença em segmentos do eleitorado considerados decisivos para a disputa de 2026.

O reposicionamento também ocorre após um episódio de repercussão envolvendo Michelle Bolsonaro. Em junho, a ex-primeira-dama declarou publicamente ter sido “humilhada” e “maltratada” pelo enteado, em um vídeo divulgado nas redes sociais. A situação gerou comentários no meio político e aumentou a atenção sobre a relação entre integrantes da família Bolsonaro durante o período de preparação para as eleições.

Programa “Brasil por Elas” reúne novas propostas

Como parte dessa estratégia, Flávio Bolsonaro lançou o programa denominado “Brasil por Elas”, iniciativa voltada à elaboração de políticas públicas destinadas às mulheres.

A apresentação ocorreu durante uma transmissão ao vivo ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro. O nome dela também passou a ser mencionado entre os possíveis integrantes de uma futura chapa presidencial, ocupando a vaga de candidata à vice-presidência.

Entre as propostas anunciadas está a possibilidade de distribuição de aparelhos celulares para mulheres de baixa renda. Segundo o senador, a medida poderia facilitar o acesso a serviços públicos, canais de denúncia, atendimento de emergência e meios de comunicação, ampliando a proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Além dessa iniciativa, o programa prevê a discussão de outras ações voltadas à inclusão social, segurança e fortalecimento da autonomia feminina, temas que deverão continuar sendo apresentados ao longo da pré-campanha.

Formação da chapa ainda permanece indefinida

Apesar da divulgação das novas propostas e do esforço para ampliar alianças políticas, a definição da composição da chapa presidencial ainda representa um dos principais desafios para Flávio Bolsonaro.

As negociações com partidos do chamado Centrão continuam sem uma conclusão definitiva, e parte das lideranças políticas mantém posições divergentes sobre uma eventual aliança eleitoral. Diante desse cenário, integrantes do Partido Liberal avaliam a possibilidade de formar uma chapa composta exclusivamente por nomes da própria legenda.

A escolha do candidato à vice-presidência permanece em aberto e deverá ser definida apenas nas etapas seguintes da organização eleitoral, antes da realização da convenção nacional do partido.

Enquanto trabalha para consolidar apoios e ampliar sua presença no debate político, Flávio Bolsonaro segue apresentando propostas voltadas a diferentes áreas da administração pública. O fortalecimento das políticas de proteção às mulheres passou a ocupar posição central em seu discurso, integrando a estratégia de construção de sua pré-campanha para a disputa presidencial de 2026 e ampliando o debate sobre segurança pública, combate à violência doméstica e políticas de proteção às vítimas.

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