Lula convida Donald Trump e Javier Milei para cerimônia de posse em janeiro de 2027
A decisão do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de convidar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chefe de Estado argentino, Javier Milei, para a cerimônia de posse de seu novo mandato chama a atenção diante das divergências políticas e diplomáticas entre os três governos. A solenidade está prevista para 5 de janeiro de 2027, em Brasília, e a orientação do Palácio do Planalto é manter uma lista abrangente de convidados, sem excluir autoridades estrangeiras por causa de diferenças ideológicas ou de posicionamentos políticos.
A iniciativa ocorre em um momento de dificuldades no relacionamento entre Brasília, Washington e Buenos Aires. Mesmo após a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 25 de outubro, os governos norte-americano e argentino ainda não reconheceram oficialmente o resultado. Apesar disso, integrantes do governo brasileiro defendem que todos os chefes de Estado de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas recebam convites para participar da cerimônia.
Convites seguem tradição diplomática brasileira
A previsão do governo é que Trump e Milei estejam entre as autoridades estrangeiras convidadas para a posse. A estratégia busca preservar a tradição diplomática brasileira de estender o convite aos representantes de diferentes países, independentemente das relações políticas mantidas com o presidente eleito.
Nos bastidores do Executivo, a avaliação é de que uma eventual exclusão dos dois líderes poderia ampliar o desgaste diplomático. Por isso, a orientação é evitar medidas que sejam interpretadas como retaliação às posições adotadas durante a campanha eleitoral ou às manifestações posteriores sobre o resultado das urnas.
A expectativa do Planalto é utilizar a cerimônia como uma oportunidade para manter os canais institucionais de diálogo. Embora existam divergências entre Lula e os dois presidentes estrangeiros, o governo brasileiro considera importante preservar as relações oficiais e evitar que os conflitos políticos comprometam outros assuntos de interesse bilateral.
Trump e Milei ainda não reconheceram oficialmente a vitória de Lula
A ausência de reconhecimento oficial por parte dos governos dos Estados Unidos e da Argentina é um dos elementos que tornam o convite significativo. Durante a campanha presidencial brasileira, Donald Trump questionou repetidamente a confiabilidade do sistema de votação do país, mas não apresentou evidências que comprovassem irregularidades no processo eleitoral.
Javier Milei também manteve uma postura crítica em relação a Lula ao longo da disputa. As diferenças ideológicas entre os dois presidentes já vinham influenciando o relacionamento entre Brasil e Argentina, criando dificuldades para a aproximação política entre os governos.
Mesmo diante desse cenário, auxiliares do presidente brasileiro avaliam que a posição de Trump não representa a visão predominante da comunidade internacional. Segundo informações atribuídas a integrantes do governo, a vitória de Lula já foi reconhecida por autoridades estrangeiras, representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário e diferentes partidos políticos brasileiros.
Entre as legendas que reconheceram o resultado está o próprio Partido Liberal (PL), ao qual pertence o senador Flávio Bolsonaro, derrotado na disputa presidencial.
Viagem de Flávio Bolsonaro também repercute no cenário diplomático
As relações entre os governos ganharam novos elementos após a saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro com destino a Miami. De acordo com informações divulgadas sobre o episódio, pessoas ligadas ao governo Trump teriam participado da organização da viagem do parlamentar.
Essa possível participação, entretanto, não foi apresentada como um fato comprovado. O assunto passou a integrar as discussões políticas em torno da relação entre integrantes da família Bolsonaro e setores do governo norte-americano, especialmente depois das manifestações sobre o resultado eleitoral brasileiro.
O episódio acrescentou mais um elemento ao ambiente de tensão diplomática, mas a orientação do governo Lula continua sendo evitar uma reação que possa dificultar ainda mais o relacionamento com Washington.
Histórico de participação internacional nas posses presidenciais
A presença de autoridades estrangeiras nas cerimônias de posse faz parte da tradição institucional brasileira. Em janeiro de 2023, quando Lula iniciou seu terceiro mandato, Brasília recebeu 21 chefes de Estado e de governo. A participação de representantes de países europeus e sul-americanos demonstrou a dimensão internacional que esse tipo de solenidade pode alcançar.
Na posse de Jair Bolsonaro, em 2019, dez líderes internacionais compareceram. Donald Trump, que ocupava a Presidência dos Estados Unidos naquele período, também havia sido convidado, mas não participou. O governo norte-americano enviou o então secretário de Estado, Mike Pompeo, como representante oficial.
A cerimônia de 2019 também ficou marcada por uma controvérsia envolvendo os convites inicialmente destinados aos presidentes Nicolás Maduro, da Venezuela, e Miguel Díaz-Canel, de Cuba. As participações acabaram sendo retiradas da programação.
Presença de Trump e Milei ainda não está confirmada
Para a cerimônia de janeiro de 2027, o governo brasileiro pretende seguir uma política de convites abrangente, mantendo a tradição de receber representantes de países com os quais o Brasil possui relações diplomáticas.
A inclusão de Trump e Milei na lista de convidados não significa, necessariamente, que os dois presidentes participarão do evento ou que haverá uma mudança imediata nas relações políticas com Lula. O envio dos convites representa, antes de tudo, uma iniciativa diplomática para preservar a comunicação institucional entre os países.
Até o momento, não existe confirmação de que os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina aceitarão o convite e estarão em Brasília no dia 5 de janeiro. A participação dos dois líderes dependerá de decisões que ainda deverão ser tomadas por seus respectivos governos.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto mantém a intenção de organizar uma solenidade com presença internacional ampla, mesmo diante das divergências políticas que marcaram o período eleitoral e continuam influenciando o relacionamento entre os três países.
