Zema critica decisão de Gilmar Mendes
O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) criticou a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º). A manifestação ocorreu depois que a emissora cancelou o encontro, que estava marcado para as 21h30.
Em publicação nas redes sociais, Zema afirmou que a inclusão de um novo candidato poucas horas antes do programa representou, em sua avaliação, um desrespeito às regras estabelecidas. O candidato também utilizou a expressão “insegurança jurídica total” para descrever o cenário provocado pelas decisões judiciais que alteraram a organização do debate.
Candidato questiona mudança de última hora
Zema afirmou que a participação de Renan Santos foi determinada “em cima da hora” e declarou que a mudança ocorreu, segundo sua interpretação, em desacordo com as regras eleitorais.
Em outro momento, o candidato afirmou que o Judiciário brasileiro teria se transformado em uma “bagunça” e defendeu mudanças na forma de atuação da Justiça. As declarações foram feitas após a comunicação oficial de que o debate não seria realizado.
Zema também afirmou que considerava o episódio um “desrespeito total” às pessoas que seguem as leis e voltou a questionar a sequência de decisões judiciais tomadas nas horas que antecederam o programa.
Gilmar Mendes determinou inclusão de Renan
A decisão de Gilmar Mendes foi tomada na tarde de quinta-feira e determinou que Renan Santos fosse incluído no debate da Globo.
Antes disso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, havia negado um pedido apresentado pelo partido de Renan para garantir sua participação. Na decisão anterior, Nunes Marques considerou as regras previstas para o debate e os requisitos estabelecidos para a participação obrigatória de candidatos.
Gilmar Mendes posteriormente decidiu em sentido diferente e determinou a participação de Renan. A decisão modificou a composição do encontro poucas horas antes do horário previsto para a transmissão.
Debate já havia sofrido outras mudanças
A decisão envolvendo Renan não foi a única alteração judicial registrada antes do debate.
Romeu Zema também havia sido incluído anteriormente entre os participantes após uma determinação de Kassio Nunes Marques. O ministro considerou que o Novo preenchia os requisitos previstos para participação nos debates eleitorais.
Com isso, a lista inicialmente planejada pela Globo sofreu alterações ao longo dos dias que antecederam o programa.
Além da inclusão de Zema e, posteriormente, de Renan, uma decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a emissora não mantivesse no cenário o púlpito reservado a Lula, que havia comunicado que não participaria do encontro.
Lula havia anunciado ausência
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia informado anteriormente que não participaria do debate da Globo. Para o mesmo horário, sua campanha havia programado uma entrevista do presidente ao Flow Podcast.
A ausência de Lula alterou uma das regras inicialmente previstas pela emissora para o encontro. A Globo pretendia manter o espaço destinado ao candidato ausente, mas a decisão da Justiça Eleitoral determinou que essa regra não fosse aplicada.
A medida passou a integrar a sequência de decisões que modificaram o formato do debate na reta final do primeiro turno.
Flávio Bolsonaro também desistiu
Pouco depois da decisão de Gilmar Mendes, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não participaria do debate. O senador havia confirmado anteriormente sua presença no encontro.
Ao comunicar a desistência, Flávio criticou decisões judiciais relacionadas ao programa e mencionou questões como insegurança jurídica e interferência da Justiça no processo eleitoral.
Com a saída de Flávio e a ausência já anunciada de Lula, a composição do debate ficou novamente diferente daquela prevista inicialmente.
Zema, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) haviam comparecido aos estúdios da Globo para participar do encontro. Renan Santos também estava no Rio de Janeiro após a decisão que determinou sua inclusão.
Globo decide cancelar o programa
Diante da sequência de decisões judiciais e das mudanças na composição dos participantes, a TV Globo decidiu cancelar o debate.
A emissora informou que recebeu determinações judiciais poucas horas antes do início previsto do programa. As decisões modificavam regras previamente estabelecidas para o encontro e alteravam a composição dos candidatos.
O cancelamento encerrou a possibilidade de realização daquele que seria o último debate presidencial antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
Repercussão entre os candidatos
Zema não foi o único candidato a criticar o cancelamento. Ronaldo Caiado e Augusto Cury também fizeram manifestações após a decisão da emissora, enquanto Renan Santos contestou a ausência de Flávio Bolsonaro.
Cada candidato apresentou sua própria interpretação sobre os motivos que levaram ao cancelamento. As críticas, entretanto, ocorreram depois de uma sequência de decisões judiciais envolvendo o STF e o TSE.
O episódio colocou em discussão as regras para participação em debates eleitorais e a atuação da Justiça durante a campanha. A decisão de Gilmar Mendes, especificamente, tornou-se um dos principais pontos de controvérsia porque alterou a composição do programa poucas horas antes de sua realização.
Eleição entra na reta final
O cancelamento ocorreu apenas três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026. Com a votação marcada para 4 de outubro, os candidatos passaram a concentrar suas atividades nos últimos compromissos de campanha.
A manifestação de Zema acrescentou mais uma reação política ao episódio e trouxe novamente para o centro do debate as decisões judiciais tomadas durante a organização do encontro.
Enquanto as campanhas encerram suas agendas antes da votação, as decisões envolvendo o debate da Globo permanecem como parte da discussão sobre as regras eleitorais, a participação dos candidatos e os limites de atuação das instituições responsáveis pela Justiça Eleitoral.
